Barrar a ofensiva imperialista sobre Cuba!

- Fora imperialismo de toda a América Latina!
- Rechaçar as políticas pró capitalistas na ilha, venham de onde vierem!
- Construir a luta de massas e levantar a bandeira do socialismo internacional com democracia dos trabalhadores!
Depois da intervenção militar ianque sobre a Venezuela, Cuba está na mira do imperialismo estadunidense. Trump quer impor derrotas históricas sobre os povos latino-americanos e controlar cada centímetro do que considera ser o seu quintal. Defender o povo cubano é uma tarefa urgente e imediata. Ela só pode ser cumprida plenamente através da luta independente e unificada da classe trabalhadora em Cuba, no conjunto da América Latina, nos EUA e no resto do mundo. Não há saída definitiva para a crise e as ameaças que atingem Cuba sem a conquista de uma verdadeira democracia dos trabalhadores na ilha e a perspectiva do socialismo internacional.
O ataque dos EUA à Venezuela abriu caminho para novas ameaças e agressões imperialistas. Estamos vendo isso de forma dramática na guerra de Trump e Netanyahu contra o Irã. Na América Latina, além de intimidar e submeter governos da região e estimular as forças de extrema direita, Trump voltou suas baterias principalmente contra Cuba. Trump promoveu uma verdadeira guerra econômica contra Cuba, intensificou o bloqueio e impôs tarifas e outras represálias contra qualquer país que fornecesse petróleo à ilha.
Trump corta o envio de petróleo à Cuba
Ao assumir o controle, na prática, sobre o petróleo venezuelano, impondo sua vontade sobre o governo de Delcy Rodríguez, ele cortou uma das fontes principais de acesso à energia para a ilha. Diante das ameaças de Trump, o México também parou de enviar petróleo a Cuba.
Nenhum outro governo, incluindo os ditos “progressistas” latinoamericanos, nem os supostos aliados em Moscou ou Pequim, ousou desafiar na prática a arrogância estadunidense. O Brasil de Lula, por exemplo, não moveu uma palha em favor do povo cubano.
Em Cuba, o resultado tem sido um semi-colapso econômico e social de um país que depende do fornecimento de petróleo de fora. No último mês, os apagões se tornaram muito mais frequentes e duradouros, o transporte público ficou ainda mais escasso, não há coleta do lixo que se acumula nas ruas. Os serviços públicos, como educação e saúde, que são símbolos das conquistas da revolução, estão sendo duramente afetados. Os preços sobem e as condições de vida se deterioram drasticamente. O cenário fica ainda pior em razão do aumento da desigualdade social gerada pela introdução de reformas econômicas pró mercado e pelos privilégios de setores da burocracia estatal.
Depois de mais de um mês impondo um estrangulamento energético total, Trump afrouxou relativamente o torniquete do fluxo de petróleo, permitindo que empresas estadunidenses forneçam combustíveis para as empresas privadas de Cuba, que passaram a operar na ilha principalmente a partir das reformas pró-mercado promovidas pelo regime.
Com isso, Trump ambiciona criar uma dependência maior de Cuba em relação aos combustíveis estadunidenses, aumentando seu poder de chantagem. Além disso, ao promover o setor privado da economia cubana, busca acelerar e aprofundar qualitativamente o processo de restauração capitalista que, de alguma forma, já estava em andamento.
Guerra econômica e pressão política
A estratégia do imperialismo combina elementos de agressividade extrema – as ameaças escancaradas de uma intervenção militar e a promoção de uma verdadeira guerra econômica contra Cuba – com elementos de pressão política sobre o regime visando mudanças políticas e econômicas numa direção pró-capitalista e de submissão ao imperialismo estadunidense.
Foi nesse sentido que Trump passou a levantar a possibilidade de uma “tomada de controle amigável em Cuba”, como declarou, referindo-se a uma tentativa de reproduzir no caso cubano a estratégia adotada em relação à Venezuela.
Na Venezuela, após a intervenção militar e o sequestro de Maduro, o regime político se manteve com Delcy Rodríguez, a presidenta encarregada, acatando as imposições dos EUA e promovendo contrarreformas que atendem aos interesses do grande capital. O exemplo mais grave até agora é o retrocesso histórico representado pelas mudanças na Lei de Hidrocarbonetos, que implica na maior abertura para que os interesses privados internacionais explorem o petróleo venezuelano.
A luta contra a ingerência de Trump na Venezuela hoje é também uma luta contra as políticas adotadas por Delcy Rodríguez, que atua sob a tutela do imperialismo estadunidense sem organizar uma resistência de fato. Fazendo isso, Delcy Rodríguez apenas dá continuidade à política do próprio Maduro que tentou evitar uma intervenção estadunidense fazendo concessões ao imperialismo ao mesmo tempo em que temia uma mobilização real e efetiva, organizada pela base e com horizonte revolucionário, por parte dos trabalhadores e das massas oprimidas.
As concessões de Maduro não o salvaram
Maduro, porém, não conseguiu evitar sua queda, sequestro e prisão. Mesmo contando com um grau de continuidade do regime venezuelano para evitar maiores turbulências e instabilidade no país, Trump precisava da imagem de Maduro algemado e encarcerado como uma demonstração de força e como exemplo para outros países.
Apesar da retórica adotada por Delcy Rodríguez, que, por vezes, ainda fala em soberania nacional e libertação de Maduro e Cilia Flores, seu governo segue apostando na colaboração com Trump.
Estão conseguindo por agora, sacrificando os direitos do povo venezuelano e abrindo mão de conquistas da luta de massas durante a chamada revolução bolivariana. Mas até quando poderão manter-se? Cedo ou tarde, os EUA buscarão favorecer uma alternativa política mais confiável. Cedo ou tarde, também a insatisfação popular com a tutelagem do imperialismo sobre o governo emergirá.
Se esse cenário se mostra extremamente instável e insustentável no médio e longo prazo no caso venezuelano, a ideia de que seria viável em Cuba é ainda menos provável. Apesar disso, há claras indicações de que existem iniciativas de negociação entre setores do regime cubano e o governo Trump. Mas é muito improvável que Trump e Rubio aceitem algum acordo sem que algumas cabeças rolem no regime cubano.
Jovens e trabalhadores da América Latina e outras partes do mundo que são solidários a Cuba poderiam estar se perguntando se negociar com os EUA e fazer concessões não seria um mal menor diante do risco de derrota definitiva. Esse raciocínio seguramente também existe entre setores do próprio povo cubano depois de anos de escassez, sacrifícios, cansaço e, principalmente, ausência de canais efetivamente democráticos para que os trabalhadores possam tomar as principais decisões sobre os rumos do país.
Negociações com Trump até podem resultar em uma sobrevida para setores do regime, mas nada de positivo virá para o povo cubano. Aprofundar a restauração capitalista, fazer explodir a desigualdade social no país, favorecer o capital ascendente na ilha e os investimentos estrangeiros jamais oferecerá uma saída para a grande maioria do povo cubano.
A única saída possível está na capacidade de organização independente e de luta por parte da classe trabalhadora em Cuba e em toda a América Latina, além da resistência dos trabalhadores nos EUA e a mais ampla solidariedade internacional. Para que isso aconteça não se pode simplesmente assumir a defesa de um regime político desgastado por anos de retrocesso burocrático, mas sim de um projeto que resgata os verdadeiros ideais da revolução cubana e sua perspectiva socialista, um projeto que aposte no verdadeiro poder democrático dos trabalhadores como componente fundamental da construção do socialismo.
Derrotar Cuba e submeter seu povo representaria uma vitória política de extrema importância para o imperialismo estadunidense e sua cruzada pelo controle do hemisfério ocidental e sua disputa inter-imperialista com a China.
Querem enterrar um símbolo de rebeldia
O objetivo de Trump e Marco Rubio é impor uma derrota histórica diante do que foi um dos maiores símbolos de rebeldia contra o poder imperialista dos EUA. Apesar dos inegáveis limites e também dos retrocessos posteriores, a revolução cubana de 1959 e seu aprofundamento numa direção anti-capitalista, representou um exemplo para os povos da América Latina e de todo o mundo.
Uma pequena ilha rebelde que, ao lado da maior potência imperialista do mundo, ousou trilhar um caminho próprio, destruindo as bases do capitalismo dependente e levantando as possibilidades do socialismo e da revolução e um futuro radicalmente diferente da miséria e desigualdade reservados aos demais países da região. Esse espírito precisa ser resgatado e materializado na forma de um programa socialista para que inspire ações decisivas de massas na ilha e em todo o mundo.















