Abaixo a repressão de Tarcísio e a precarização da educação em São Paulo! Continuar a luta com mais força!

PM realiza ação violenta para desocupar a reitoria da USP

Na madrugada deste dia 10 de maio, às 04:15 hrs da manhã, por ordem direta de Tarcísio, sem qualquer mandado judicial e em meticulosa articulação com o reitor Aluísio Segurado, a tropa de choque da polícia militar de São Paulo promoveu brutal repressão contra os estudantes da USP que ocupavam a reitoria desde o dia 07 de maio. 

A ocupação da reitoria da USP havia sido decidida por assembleia geral após o encerramento  unilateral e desavisado da mesa de negociação das demandas estudantis contra a precarização da universidade e pelo aumento do auxílio PAPFE para um salário mínimo paulista. 

Na brutal desocupação, vários estudantes foram presos e depois liberados. A direita em seus diferentes matizes não tardou a defender a desocupação da reitoria,  afirmando que nenhum estudante foi definitivamente preso, tentando dar um verniz democrático à sua postura truculenta. 

Mas as cenas vivenciadas pelos lutadores que lá estavam presentes e as imagens já publicadas nas redes sociais mostram um cenário muito mais violento física e simbolicamente. A tropa de Tarcísio e Aluísio executou agressões físicas graves contra estudantes, e várias pessoas saíram feridas. Houve também um detalhe simbólico não menos importante: promoveram o “corredor polônes”, algo que para além da agressão física, dá um recado público aberto e desavergonhado não só contra o movimento estudantil, mas também contra o movimento dos trabalhadores das três universidades estaduais paulistas que iniciaram paralisação  pelo reajuste de 15% para os servidores. 

A desocupação violenta da reitoria da USP, abre um novo capítulo das lutas dos estudantes e dos trabalhadores das universidades paulistas. Depois de encerrar a mesa de diálogo entre os atores, após ver a força dos estudantes ocupar o prédio mais central das decisões da universidade, a dupla Tarcísio/Segurado dobra a aposta com mais violência e mais intransigência nessa batalha. Por isso o movimento dos trabalhadores do “Fórum da Seis” (as seis entidades que representam DCE’s e Sindicatos destas três universidades paulistas), que já tinha convocado um ato na frente da reitoria da Unesp, deve ocorrer agora em contexto de maior acirramento das lutas. É importante frisar: toda essa luta não é abstrata, não está descolada de um contexto mais amplo de lutas sociais no mês de maio da classe trabalhadora, por dois motivos.  Em primeiro lugar, ela vem de uma mesmo inimigo, a burguesia paulista, Tarcísio e seu governo, representados nas universidades pelos seus reitores e demais mandatários. 

A segunda razão é que,  para além de uma luta estudantil desta ou daquela categoria de servidores, estamos em meio a uma série de lutas da  classe trabalhadora no estado de São Paulo. Lembremos: os trabalhadores da Unicamp acabaram de decidir em grande assembléia uma greve que se inicia também neste dia 11/05, contra a ridícula proposta (3,47%) de aumento salarial da reitoria desta universidade. Também os professores municipais da cidade de São Paulo estão em luta aberta contra o filo-bolsonarista Ricardo Nunes, por melhores condições de trabalho e de salário e contra a precarização dos serviços públicos. Os trabalhadores da USP tem uma importante paralisação amanhã como parte da  luta por aumento salarial e em total apoio aos estudantes.

Para além disso, os capitalistas estão pressionados pela luta pelo fim da jornada 6×1, cuja votação no parlamento burguês se aproxima.  Há luta real e de classe ocorrendo neste momento. Se outrora ela se mostrava mais fechada, agora ela surge mais aberta e mostra como são todas elas lutas correlatas de nossa classe. 

O inimigo de classe não tem pudores contra a luta dos estudantes e dos trabalhadores, pois sabem que estamos em um contexto de possibilidade de lutas significativas nos próximo período, por isso age com objetivo claro: calar qualquer luta por direitos e por dignidade para a juventude e para os trabalhadores em São Paulo e em várias regiões do Brasil. A extrema direita ataca, e a esquerda, os movimentos sociais e os socialistas devem fazer do ataque a sua melhor defesa, intensificando suas lutas. 

Nesse sentido, entidades de luta dos trabalhadores, como a APEOESP, deveriam entrar de cabeça e independentemente dos governos, para incrementar positivamente este processo, afirmando assim a necessidade de unir toda a classe em torno de um programa de reivindicações concretas de todos os usuários da educação pública em São Paulo. 

Seja em nível municipal e estadual, entre professores da educação básica e superior, estudantes secundaristas e universitários, famílias trabalhadoras, é preciso ir além da luta econômica e politizar o movimento, colocando em xeque o governo Tarcísio e o papel que ele cumpre no cenário estadual e nacional. 

Precisamos fazer isso por meio dos métodos de luta da juventude e da classe trabalhadora, a começar pela paralisação e ato do dia 11, às 14 hrs, em frente à Reitoria da UNESP, onde haverá a reunião de negociação do CRUESP (Conselho das Universidades Paulistas) com o “Fórum das Seis”. 

Essa é uma das várias oportunidades que temos e teremos de combater  a extrema direita, com uma luta concreta, sem nos ajoelharmos  para a institucionalidade burguesa e para os calendários, possibilidades e temores eleitorais.

  • Todo apoio à luta dos estudantes e dos servidores das três universidades paulistas por salários e dignidade para estudar! 
  • Abaixo a violência e o terror de Estado diante da luta contra a precarização da educação, da produção científica e por direitos!
  • Todos ao ato amanhã, dia 11, às 14h, em frente à Reitoria da UNESP e demais ações de luta!
  • Junte-se a nós e lute com a LSR

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