28 de abril: Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho

Hoje é Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, data para reflexão e sensibilização da necessidade de enfrentar essa realidade brutal e ocultada de pessoas que adoecem, se acidentam e morrem exercendo uma atividade de trabalho. Em sua maioria, trata-se de situações evitáveis não fosse o trabalho penoso e perigoso, combinado a uma jornada intensa e extensa e com baixa autonomia e gestão do próprio trabalho.
O fim da escala 6×1 e a implementação da nova NR-1, que incorpora os riscos psicossociais do trabalho, são talvez os temas mais quentes relacionados à saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores. Há uma expectativa grande de que essas medidas impactem positivamente a vida de milhares de pessoas, em meio a um contexto visível de esgotamento e cansaço generalizado, sem falar na epidemia de afastamentos por questões de saúde mental.
Para além do sofrimento psíquico, não podemos deixar de olhar para as vítimas diárias de acidentes fatais, que não estão diminuindo, pelo contrário: 2025 registrou o pior resultado da última década, 3644 no total, equivalente a quase dez mortes por dia. Isso ainda tratando de trabalhadores registrados, excluindo uma parcela importante de trabalhadores informais. São mortes por queda, choques elétricos, esmagamento, soterramento. O fato disso ainda acontecer liga um alerta para nós, pois existem medidas, protocolos, formas de vigilância e controle para que não aconteça. Então, por que continua acontecendo?
Um fator fundamental é ter como protagonista o “sujeito principal e indispensável”: a classe trabalhadora. Sem a participação de trabalhadores, parte principal interessada na conquista de melhores condições de vida e trabalho, essas medidas serão esvaziadas de sentido. A tendência é que sejam implementadas pela gestão de empresa e governo com a mesma velocidade que são burladas, desidratas e negligenciadas pelos mesmos gestores de empresa e governo.
É por isso que a organização nos locais de trabalho, nos sindicatos e encontros da classe trabalhadora é imperativo pautando além das técnicas e resoluções a questão de como tornar mais favorável a correlação de forças nessa tensão entre vida e capital. Não devemos delegar aos patrões nem ao Estado aquilo que diz respeito às nossas próprias vidas!















