Socialistas contra a máquina de guerra imperialista

O capitalismo mundial entrou em uma nova era de crises e guerras, marcada pela reafirmação do imperialismo, nacionalismo reacionário e militarismo, com o conflito interimperialista entre os EUA e China como eixo central.
Ninguém personifica melhor esse giro reacionário do que Donald Trump. Sob sua gestão, os EUA já bombardearam sete países: Irã, Síria, Venezuela, Nigéria, Somália, Iêmen e Iraque, além de apoiar plenamente a guerra genocida de Netanyahu contra os palestinos. Recentemente, a agressividade escalou com o ataque a Venezuela e sequestro de Maduro e Cilia, ameaças de anexação da Groenlândia, um bloqueio devastador contra Cuba e agora uma nova guerra contra o Irã.
Enquanto isso, persiste o “moedor de carne” na Ucrânia e Gaza continua sendo um inferno com mortes diárias sob um suposto “cessar-fogo”. A África é palco de guerras e disputas imperialistas por minerais e riquezas, como no Sudão e no Congo.
Tudo isso mostra a urgência de construir um poderoso movimento internacional para desmontar a máquina de guerra imperialista.
O número de conflitos armados é o maior desde a Segunda Guerra Mundial e os gastos militares chegaram a US$2,7 trilhões em 2024, segundo o instituto de pesquisas sobre conflitos e armamentos SIPRI. Os EUA representam 37% dos gastos militares no mundo e Trump ainda quer aumentar os gastos dos EUA esse ano em 50%, para US$1,5 trilhões!
A justificativa ideológica para o militarismo se baseia em um nacionalismo reacionário, com ataques racistas a imigrantes e uma suposta “guerra de civilizações” xenófoba. Crescem também ataques reacionários a mulheres e pessoas LGBTQIA+, para exaltar valores “masculinos” de guerra e o papel tradicional da família.
A disputa por hegemonia: EUA vs. China
Os EUA, embora ainda a principal potência bélica, vêm perdendo espaço econômico para a China e Trump utiliza sua superioridade militar para tentar conter o avanço chinês na América Latina, África e Ásia. Os ataques ao Irã, Venezuela, Cuba, e a ofensiva sobre o Canal do Panamá e a Groenlândia, são também direcionados contra a China. Nesse redesenho do mapa global, as antigas regras internacionais ditadas pelos próprios EUA no pós-guerra foram descartadas. Trump não busca aliados, mas vassalos, atacando inclusive parceiros históricos como o Canadá e a União Europeia.
O “Conselho sem Paz” e o inferno palestino
O “Conselho da Paz”, que vai supervisionar o plano de “cessar-fogo” em Gaza, teve sua primeira reunião, com Trump como presidente vitalício e com poder de veto. O conselho é composto por ditaduras, monarquias e governos autoritários alinhados com Trump. Ele quer que o conselho tenha um papel mais amplo, como uma alternativa à ONU, usou a primeira reunião do conselho “da paz” para ameaçar uma nova guerra contra o Irã!
O plano para Gaza prevê uma base militar e empreendimentos de luxo, enquanto o povo enfrenta um genocídio contínuo. Mais de 600 palestinos foram mortos durante o “cessar-fogo”, Israel controla metade do território e ainda barra a ajuda humanitária. Na Cisjordânia, a repressão e a expansão de assentamentos ilegais geraram o maior número de mortes desde 1967. Um elemento importante de resistência foi a greve geral de palestinos em Israel no dia 22 de janeiro, contra a discriminação policial e violência.
Europa e Ucrânia
A guerra da Ucrânia mostrou como os países da Europa dependem militarmente dos EUA. Trump quer que a Europa arque com os custos de conter a Rússia e exige pagamento por todas as armas enviadas para a Ucrânia. A ameaça de tomar a Groenlândia foi mais um balde de água fria para a “parceria transatlântica”.
A Europa agora corre para aumentar os gastos bélicos, com por exemplo a Alemanha planejando triplicar seus gastos militares. Essa corrida armamentista será paga pela classe trabalhadora europeia, o que certamente gerará resistência popular.
Muitos líderes europeus elogiaram a fala de Marco Rubio, Secretário de Estado de Trump, durante a Conferência de Segurança de Munique em fevereiro, por enfatizar a aliança com a Europa. Mas o conteúdo foi profundamente reacionário. Rubio exaltou o colonialismo europeu que construiu “grandes impérios”, mas que desde 1945, “pela primeira vez desde os tempos de Colombo, o mundo ocidental começou a encolher” e que para reverter isso, é preciso uma aliança “que não seja paralisada pelo medo das mudanças climáticas, medo da guerra, medo da tecnologia”.
China e Rússia ainda não conseguem desafiar Trump
A China e seu aliado, Rússia, não têm conseguido desafiar o rolo compressor de Trump. Nada puderam fazer contra a queda de Assad na Síria, o ataque ao Irã no ano passado e agora na Venezuela. O mesmo parece ser em relação à nova guerra contra o Irã. Mas ambos se preparam para um momento em que um conflito direto será inevitável.
Putin tem investido em novas armas, como mísseis supersônicos, mais difíceis de interceptar, e no ano passado foram apresentados mísseis e torpedos com propulsão nuclear, capazes de atingir qualquer canto do mundo. Mesmo assim, a linha de frente na guerra contra Ucrânia avança a passos de tartaruga, com um grande custo de vidas em ambos os lados.
A China passa por uma crise econômica de longo prazo e tem aumentado a aposta nas exportações, batendo um novo recorde na balança comercial do ano passado. Isso tende a aumentar as tensões internacionais e esse poder econômico vai precisar ser amparado por um poder bélico.
A China continua, portanto, a fortalecer suas forças armadas. O país já tem uma frota naval maior que a dos EUA e dobrou o seu arsenal nuclear nos últimos 5 anos.
O Pacífico Ocidental, o Mar do Sul da China e especialmente Taiwan, são um palco decisivo de luta por poder no mundo e fator estratégico em uma futura guerra entre os EUA e a China.
Limites dos EUA e Trump
Apesar da agressividade, Trump enfrenta limites. Ele recua quando os mercados oscilam e sabe que, após os traumas do Vietnã, Iraque e Afeganistão, sua base social não aceitaria o envio de tropas em larga escala.
Porém, Trump deve continuar a lançar novos ataques, também para desviar a atenção dos problemas domésticos, sempre correndo o risco de ser intoxicado com o próprio poder e ir longe demais.
Nenhum governo até agora desafiou Trump. Diante das ameaças, se curvam e buscam “diálogo”. Em geral, tentam reivindicar a volta de uma “ordem internacional baseada em regras” ou um “mundo multipolar”. Mas a ordem antiga, que no máximo regulava a exploração dos países pobres, não nos serve.
Construir e unificar a luta contra guerras e imperialismo
O movimento contra a guerra genocida de Netanyahu contra Gaza tem levado milhões às ruas. A Flotilha Global Sumud foi um ponto alto no ano passado, com atos de centenas de milhares em vários países e as históricas greves gerais na Itália e na Espanha.
No dia 6 de fevereiro, portuários de 20 portos ao redor do Mediterrâneo fizeram uma paralisação contra o militarismo, exportação de armas para Israel e a militarização e privatização dos portos, mantendo viva a ação dos trabalhadores.
Uma nova Flotilha está sendo organizada esse ano. Se for combinada com um chamado para greves gerais coordenadas em vários países, isso pode ser um novo passo importante. A classe trabalhadora é quem tem o poder de parar a máquina de guerra, incluindo o fluxo de armas.
A luta antiguerra também é uma luta contra a repressão e em prol de direitos democráticos. Ativistas pró-Palestina foram perseguidos em vários países. Na Grã Bretanha o grupo de ação direta pacífica, Palestine Action, foi declarado como “grupo terrorista” e milhares de pessoas foram presas por segurarem cartazes em solidariedade. Uma greve de fome foi realizada pelos ativistas presos e recentemente o Alto Tribunal de Justiça declarou ilegal a proibição do Palestine Action.
A resistência contra o imperialismo e a guerra está radicalizando uma nova geração de jovens. Em dezembro do ano passado, 55 mil secundaristas fizeram uma greve na Alemanha contra os planos do governo de reintroduzir o serviço militar obrigatório. No dia 5 de março, uma nova greve foi realizada.
Mas precisamos ir além. Queremos pôr um fim de vez a esse sistema que gera guerras. Por isso é necessário a construção de um movimento internacional anti-imperialista e antiguerra, que tem o potencial de ser um foco de resistência para quem sofre e luta contra todas as mazelas desse sistema: opressões, guerra, pobreza, autoritarismo, cortes e privatizações, desigualdade crescente e destruição ambiental. Em resumo, um movimento que lute para pôr um fim ao capitalismo que põe o lucro acima da vida, e por alternativa socialista internacional.
A Alternativa Socialista Internacional, da qual a LSR é a seção brasileira, está realizando uma campanha com uma turnê internacional de palestras com militantes socialistas trocando as experiências da luta anti-imperialista e antiguerra em nossos países. Junte-se a nós!















