Escândalo do Master – defender a estatização dos bancos com controle dos trabalhadores!

O recente escândalo envolvendo o Banco Master demonstra que as medidas de desregulamentação no mercado financeiro defendidas pelos capitalistas liberais, seguindo a máxima do laissez faire, são, em realidade, um convite ao banditismo. Apesar dos 18 alertas e notificações enviados pelo Banco Central ao Master desde 2019, o “deixe acontecer” criou o que está sendo chamado de a maior fraude financeira da história do país.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e até então um desconhecido, assim como seu banco, é, antes de tudo, um bandido, que seria facilmente estampado como um exemplo de sucesso e empreendedorismo em revistas, jornais e sites burgueses por conta de sua rápida ascensão no mundo das finanças, não fosse pego no pulo. Responsável por uma fraude que causou um prejuízo de pelo menos 57 bilhões de reais, Vorcaro fez fortuna construindo um esquema de pirâmide financeira envolvendo pequenos e médios investidores, prefeituras, governos estaduais, parlamentares e inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal, como Toffoli, mais diretamente, e Alexandre de Morais, de forma indireta, por meio de sua esposa, que advoga para o Master com um contrato multimilionário firmado.
Prejuízos bilionários
Ao utilizar até um terço do FGC devido à falência do Master, Vorcaro despertou a ira dos grandes bancos, que agora começam a falar em constituir um fundo garantidor de crédito público, e não mais privado como atualmente. Isso protegeria os grandes bancos de prejuízos bilionários ao transferi-los para a sociedade, ou seja, a famosa socialização dos prejuízos. Vale destacar que a quebra do Master já pode estar trazendo prejuízos sociais de cerca de dois bilhões para aposentados do funcionalismo público de cidades e estados na medida em que prefeituras e governos estaduais utilizaram os recursos previdenciários de seus contribuintes para comprar títulos podres do banco de Vorcaro.
Em que pese o grande destaque dado ao caso Master e Vorcaro, com suas conexões espúrias no alto escalão da república, ou até mesmo no crime organizado, o fato é que o problema não é somente a desregulamentação ou omissão diante das transações financeiras, ou ainda, a autonomia do Banco Central. O problema são os bancos em si. São parasitas que drenam recursos valiosos e condenam a população a viver cada vez com menos. O Brasil pode ser facilmente chamado de paraíso dos bancos e dos rentistas, pois não há nenhum país que destine 10% de seu PIB para especuladores financeiros por meio do mecanismo da dívida pública, totalizando um trilhão de reais por ano. Esta é a maior fraude de todas! Para efeito de comparação, os orçamentos somados da saúde e educação não alcançam o mesmo montante destinado aos bancos todos os anos, e isso vem ocorrendo há décadas. Trata-se de uma verdadeira farra com o dinheiro público, consumindo trilhões de reais ao longo de muitos anos.
Estatizar os bancos
Em um país com graves problemas sociais, com diferenças regionais gritantes, serviços públicos sucateados, com empregos precários e sofrendo com os efeitos do aquecimento global, torna-se urgente adotar medidas de caráter anticapitalista que apontem em direção ao socialismo, como a estatização do sistema financeiro. Somente a mudança radical do sistema político-econômico será capaz de parar com a farra capitalista sobre a riqueza socialmente produzida, ameaçando detonar crises financeiras de proporções imprevisíveis que arruínam a vida de milhões de trabalhadores.
A farra capitalista precisa acabar, antes que ela acabe com o mundo. Por isso defendemos:
- Cassação, inelegibilidade, cadeia e expropriação dos bens de todos os políticos, magistrados e especuladores envolvidos na fraude do banco Master.
- Proibição do uso do fundo previdenciário dos trabalhadores no cassino da especulação financeira.
- Desmonte do sistema da dívida pública com auditoria e não pagamento aos grandes especuladores. Controle de câmbio e da remessa de lucros das empresas multinacionais. Estatização do sistema financeiro e setores chave da economia com controle dos trabalhadores.















