Primeiro de Maio de 2026: A classe trabalhadora contra a máquina de guerra capitalista

Militantes da ASI nos EUA com cartazes contra a guerra e em prol de greve no 1° de Maio

Como muitos socialistas e sindicalistas em todo o mundo sabem, o Dia Internacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras foi instituído pela primeira vez em 1889. Desde então, cada Primeiro de Maio tem servido ao mesmo propósito fundamental: demonstrar a força e a solidariedade internacionais da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, a cada ano, o conteúdo da data é necessariamente um pouco diferente, refletindo as demandas e lutas mais urgentes dos trabalhadores e dos oprimidos.

Por exemplo, a primeira mobilização do 1º de maio, realizado em Chicago, concentrou-se na luta pela jornada de oito horas e na solidariedade com os trabalhadores que enfrentavam uma repressão estatal assassina. No entanto, à medida que o capitalismo e o imperialismo mergulharam o mundo nos horrores da Primeira Guerra Mundial, o 1º de maio começou a desenvolver um rico legado antiguerra. Foi uma data fundamental na luta contra a carnificina de 1914-18 e na luta bem sucedida para pôr fim à guerra do imperialismo estadunidense contra o Vietnã décadas mais tarde. No 1º de maio de 2026, é esse legado que precisa ser resgatado com toda urgência.

Guerras mais sangrentas e mais amplas

A década de 2020 é dominada pelo conflito agudo entre o imperialismo estadunidense e o imperialismo chinês, com as classes dominantes em todo o mundo dando uma guinada nacionalista reacionária acelerada em resposta à profunda crise do sistema capitalista. Esses processos estão arrastando a humanidade para conflitos sangrentos cada vez mais amplos. A máquina de guerra já se fez sentir em todos os continentes – com um custo humano particularmente devastador na África – e ceifou a vida de milhões de pessoas nesta década até agora. E, sob este sistema, apenas mais do mesmo – e ainda pior – está em oferta. 

As guerras estão se tornando mais sangrentas e mais interconectadas, com as marcas das mãos ensanguentadas das principais potências imperialistas em todos e cada um dos conflitos. O 1º de Maio de 2026 ocorre em meio a uma guerra regional em pleno andamento no Oriente Médio, após a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, concomitante e sobreposta a uma guerra imperialista por procuração de quatro anos na Ucrânia. Além disso, não há um único continente onde o rufar dos tambores de guerra não possa ser ouvido. 

O genocídio em Gaza, perpetrado pelo regime israelense com total apoio do imperialismo dos EUA e do Ocidente, chocou o mundo. Além disso, seu terrível número de mortos foi superado pelas centenas de milhares de vidas perdidas no Sudão e no Congo, onde conflitos menos divulgados se alastravam ao mesmo tempo.

Mas dois anos e meio após o início desse genocídio em curso, longe de ser uma aberração, ele se tornou um modelo. Os métodos do genocídio de Gaza são empregados pelos EUA e por Israel no centro de Beirute e Teerã, em uma guerra que começou com a morte de 160 meninas em idade escolar. Hospitais, creches e parques infantis são considerados “alvos legítimos”. O principal belicista do imperialismo estadunidense, Donald Trump, saliva abertamente diante da perspectiva de destruir civilizações inteiras. 

As ilusões equivocadas de que o “direito internacional” impediria crimes de guerra estão sendo demolidas da noite para o dia. O mesmo ocorre com a mentira absurda de uma liga de “mocinhos” liderada por Washington, para quem tais métodos seriam estranhos. A face feia do imperialismo está sendo desmascarada novamente. A verdade é que as “leis” do capitalismo e do imperialismo não estão sendo violadas por Trump, Putin ou Netanyahu. Como Stephen Miller, o acólito racista de Trump, colocou corretamente e de forma muito sucinta após o sequestro de Nicolás Maduro, as “leis de ferro” desse sistema são regidas principalmente pela busca brutal de poder e lucros por parte dos bilionários. No 1º de maio deste ano, a classe trabalhadora deve se mobilizar não apenas contra a guerra, mas contra o sistema no qual ela está enraizada.

A guerra leva a um novo ponto de inflexão na crise do custo de vida

Essa máquina militarista também está no cerne da intensificação da crise do custo de vida que está afetando diretamente o bolso dos trabalhadores neste ano. O impacto inflacionário da guerra de agressão de Trump e Netanyahu contra o Irã está apenas começando a atingir a maior parte do mundo. Milhões de pessoas, especialmente no Sul Global, que vivem no limite há anos, serão empurradas para a pobreza extrema. A fome virá tanto da escassez provocada pelo homem em zonas de guerra quanto da iminente “catástrofe alimentar global” causada pela guerra contra o Irã, que interrompeu as exportações de fertilizantes e alimentos.

Os abutres do Fundo Monetário Internacional alertam para uma inflação massiva, mas, ao mesmo tempo, instruem os governos a não agir, mesmo da forma limitada que muitos foram forçados a adotar após a crise inflacionária pós-pandêmica. Tanto os patrões quanto os governos tentarão esmagar qualquer esperança de uma restauração significativa dos padrões de vida após anos de queda dos salários reais.

A máquina de guerra também está impulsionando uma nova era de austeridade, à medida que o bem-estar social e os serviços públicos enfrentam mais “cortes” para pagar os orçamentos militares que disparam. A jornada de oito horas, pela qual o 1º de Maio nasceu para lutar, está agora sob ataque em vários países, incluindo a Alemanha. Os orçamentos de guerra europeus dispararam 14% em um único ano em 2025, à medida que governos de todo o espectro político capitalista se curvam às exigências de Washington e se movem desesperadamente (em vão) para restabelecer a força militar independente no contexto da destruição da OTAN por Trump. 

Na vanguarda da reação, o belicista-chefe propõe impulsionar ainda mais essa tendência, exigindo um orçamento de guerra colossal de US$ 1,5 trilhão este ano, em troca de uma redução de 10% nos gastos não relacionados à defesa, o que se traduzirá em austeridade massiva para os trabalhadores e os pobres. 

Como era de se esperar, em nenhum lugar do mundo há governo sugerindo que os bilionários assumam qualquer parcela significativa do custo dessa conta grotesca. Isso apesar da contínua bonança de lucros para as grandes empresas – em meio à pior crise energética da história, a BP anunciou uma duplicação dos lucros nos primeiros três meses de 2026. Todos sabemos o que isso significa: mais “escolhas difíceis” e “sacrifícios”. Os sindicatos e outras organizações de trabalhadores devem lutar frontalmente contra esses cortes, ao mesmo tempo em que se opõem abertamente à agenda militarista da classe dominante da qual eles são fruto. Nas manifestações do 1º de maio deste ano, devemos dizer alto e claro: bem-estar social sim – guerra não! Verba para escolas, hospitais, alimentação e recuperação salarial, não para morte e destruição!

Um 1º de Maio histórico nos EUA

De certa forma, o 1º de Maio deste ano estará entre os mais importantes da história recente. Isso porque, em meio à ofensiva reacionária trumpista que domina o mundo, será um dia de resistência em massa no “coração da besta”. Os militantes da Alternativa Socialista Internacional estarão na vanguarda dos protestos, das paralisações e, em algumas cidades, de greves de massas efetivas, como parte de um dia histórico, com uma parte dos líderes sindicais e comunitários apoiando o apelo “Sem Trabalho, Sem Escola, Sem Compras”.

Esse foi o mesmo apelo que levou à greve geral em Minnesota e que derrotou a invasão do ICE de Trump nas Cidades Gêmeas em janeiro. Juntamente com as greves gerais históricas que paralisaram a Itália no inverno passado, isso mostra o caminho para repelir as forças da guerra, do racismo e da reação: mobilizar o poder da classe trabalhadora. O Dia Internacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, que este ano também ocorre no centenário da histórica Greve Geral de maio de 1926 na Grã-Bretanha, quando a classe trabalhadora teve um gostinho do poder, deve continuar a impulsionar a recuperação das tradições mais militantes e vitoriosas da luta de classes. Os próximos anos devem ser um período de muitas greves, greves gerais e greves gerais internacionais contra a guerra, o imperialismo e a reação capitalista como um todo.

Construir partidos da classe trabalhadora para lutar pelo socialismo internacional

O 1º de Maio deste ano também ocorre na esteira da poderosa onda de revoltas da “Geração Z”, que derrubou governos e abalou ditaduras em todo o Sul Global. Esses e muitos outros movimentos de massa recentes demonstraram tanto o poder, a energia e a resiliência da juventude e da classe trabalhadora, quanto a necessidade urgente de abordar as fraquezas políticas e organizacionais dos movimentos sindicais e sociais em todo o mundo.

A lição central é que energia, heroísmo e determinação são necessários, mas não suficientes. Para conquistar vitórias decisivas contra a reação, os movimentos de massas devem estar ancorados em um movimento sindical democrático, poderoso e combativo, e contar com uma direção política perspicaz, munida de uma alternativa socialista radical à crise interminável do sistema capitalista.

Portanto, o 1º de maio de 2026 deve erguer não apenas a bandeira dos protestos de massas e das greves, mas também a bandeira da luta política. A classe trabalhadora deve ser politicamente independente e politicamente organizada. Partidos de massas devem ser construídos, enraizados na luta cotidiana e munidos de um programa cujo objetivo não seja remendar o sistema capitalista, mas transformá-lo. O movimento de trabalhadores internacional deve lutar com o horizonte claro de um mundo socialista livre de guerra e opressão, no qual as pessoas e o planeta possam florescer com base no planejamento racional da produção, da riqueza e dos recursos de propriedade coletiva e democrática. Se você concorda, junte-se à ASI hoje mesmo.

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