EUA: Sindicatos de Minnesota convocam paralisação de massas – construir uma greve total contra o ICE em 23/1!

“O exército que Trump está montando agora em Minneapolis para deportar pessoas é o mesmo exército que Trump usará para esmagar os sindicatos. É por isso que estamos convocando um dia sem compras e sem trabalho [em 23 de janeiro].” Greg Nammacher, presidente do SEIU Local 26 [sindicato de servidores público]
Em meio ao que tem sido chamado de a maior operação anti-imigração nos EUA – após o assassinato de Renee Good por um agente do ICE [policial federal de imigração] – uma coalizão de sindicatos e movimentos sociais de Minneapolis/St. Paul lançou um apelo para “Não trabalhar, não estudar, não fazer compras” em todo o estado de Minnesota na sexta-feira, 23 de janeiro. As quase 30 organizações que aderiram até agora exigem a saída do ICE do estado, o julgamento do agente do ICE que matou Renee Good e o fim do financiamento federal ao ICE.
Este apelo à paralisação é extremamente positivo e é justamente o passo de escalada de que nosso movimento precisa para construir uma vitória decisiva contra a máquina de deportação de Trump. A Socialist Alternative está se mobilizando para a maior participação possível nas ações de 23 de janeiro, em Minnesota e em todo o país.
Os sindicatos não devem se esquivar do que isso realmente é: uma greve. Por razões legais, os líderes sindicais estão evitando o termo “greve”. Mas com o ICE cometendo assassinatos em plena luz do dia e aterrorizando nossos vizinhos, precisamos que nossos sindicatos sigam a máxima de longa data do movimento sindical: “Não existe greve ilegal, apenas greve malsucedida”. Devemos ser muito claros sobre nossos objetivos: paralisar as atividades normais e desencadear lutas semelhantes em todo o país.
Renee Good foi baleada na cabeça à queima-roupa e depois chamada de palavrões, apenas por aparecer para observar pacificamente a atividade do ICE, na tentativa de garantir que os imigrantes não fossem prejudicados. Seu terrível assassinato, que virou notícia internacional, destacou a brutalidade implacável que o ICE tem desencadeado sobre a classe trabalhadora, especialmente os imigrantes, na região metropolitana das Cidades Gêmeas (área metropolitana de Minneapolis-St. Paul). Os agentes do ICE estão fazendo perfilamento racial e sequestrando pessoas (incluindo cidadãos americanos), jogando observadores no chão e apontando armas para líderes religiosos. Atualmente, há três vezes mais agentes do ICE em Minneapolis do que policiais.
Uma escalada urgentemente necessária
Milhares de pessoas estão trabalhando heroicamente 24 horas por dia em redes de resposta rápida, que têm desempenhado um papel fundamental em impedir os esforços do ICE. Mas o ICE também está encontrando maneiras de revidar. Por exemplo, quando as pessoas seguem os veículos do ICE, buzinando para alertar os vizinhos, o ICE começou a cercá-las em becos, ameaçando e detendo pessoas. Quando dezenas de milhares marcharam em Minneapolis no fim de semana, o ICE voltou seu foco para outro lugar e invadiu a vizinha St. Paul. Isso não muda o fato de que as manifestações em massa são uma parte crucial da construção dessa luta, mas significa que precisamos intensificar nossas táticas.
Muitos já chegaram à conclusão correta de que o movimento precisa de uma estratégia ofensiva, mas há limites para o que pode ser alcançado sem empenhar a força total da classe trabalhadora. Tem havido discussões generalizadas sobre a necessidade de paralisar as atividades. Centenas de estudantes saíram às ruas e entraram em confronto com o ICE, enfrentando novamente uma repressão severa. Professores faltaram ao trabalho dizendo que estavam doentes. Muitos locais de trabalho já fecharam para proteger os trabalhadores. No entanto, até agora, essas ações têm sido dispersas e sem coordenação. Os sindicalistas têm desempenhado papéis individuais ao longo do movimento, mas, além dos comícios, o movimento sindical organizado como um todo ainda não deixou sua marca na luta.
É por isso que uma forte paralisação de um dia em 23 de janeiro seria um grande passo à frente para o movimento. A única maneira de Trump recuar é se paralisarmos os lucros de seus amigos bilionários, e isso significa entrar em greve. As Cidades Gêmeas abrigam as sedes de grandes corporações como Target, US Bank, 3M, Honeywell, Cargill e Medtronic. Precisamos paralisá-las, juntamente com a metrópole que as mantém funcionando, incluindo ônibus e escolas.
Cada trabalhador tem um papel
É importante que os líderes sindicais convoquem essa paralisação, mas uma convocação por si só não significa que ela vai acontecer. A verdade é que o movimento sindical ainda é relativamente fraco, e muitos de nossos colegas de trabalho nem mesmo saberão do anúncio, sem uma mobilização deliberada da direção sindical. Alguns líderes sindicais podem minimizar a participação de seus sindicatos locais ou até mesmo hesitar em aderir, citando cláusulas “antigreve” que os impedem de entrar em greve durante a vigência de seus contratos. É exatamente por isso que é urgente que construamos a mobilização e a participação mais amplas possíveis, de baixo para cima. Se toda a região metropolitana das Cidades Gêmeas entrar em greve, a retaliação dos patrões será muito menos provável e, se ocorrer, será escandalosa e poderá desencadear uma reação ainda mais forte. Na maioria dos casos, os trabalhadores de base precisarão lutar para que seus sindicatos mobilizem totalmente seus membros e participem ativamente.
Além disso, a grande maioria dos trabalhadores não é sindicalizada e, para realmente paralisar as cidades, seria necessária a participação deles também. Esses trabalhadores ainda devem entrar em greve, mas não devem simplesmente sair do trabalho individualmente: é preciso aproveitar o momento para organizar a participação coletiva, como a melhor proteção contra retaliações.
É por isso que a Socialist Alternative está apelando a um esforço abrangente e total para organizar uma greve de massas em 23 de janeiro, e trabalharemos com qualquer pessoa que queira ajudar. Enquanto os sindicatos se mobilizam para a greve em cada local de trabalho, grupos de resposta rápida devem ser usados para organizar a participação em cada quarteirão. Eles podem expandir seu alcance, organizando patrulhas a pé que também cubram a cidade com cartazes e panfletos em vários idiomas e realizando conferências de resistência – reuniões democráticas de massas – para preparar a greve. Deve haver reuniões em todos os locais de trabalho, escolas, cafeterias e bares sobre quais são os planos.
Uma greve não significa apenas um dia de folga. Depois de fechar as empresas, precisamos sair juntos às ruas, garantindo que o ICE não realize uma única deportação. Podemos fazer piquetes em nossos quarteirões e locais de trabalho e devemos marchar juntos nos centros do poder corporativo. Uma grande manifestação está sendo organizada no centro da cidade às 14h – vamos torná-la a maior manifestação contra o ICE que as Cidades Gêmeas já viram!
Expandir a greve, derrubar Trump
Os trabalhadores e estudantes fora das cidades gêmeas não devem apenas assistir de longe. Para fechar o ICE em todo o país, será necessário intensificar a luta de leste a oeste: precisamos de uma greve nacional. Os trabalhadores de todo o país poderiam começar fazendo piquetes em locais estratégicos, como redes de hotéis que abrigam o ICE nas Cidades Gêmeas, organizar greves nas escolas e preparar comícios de massas em 23 de janeiro em solidariedade às Cidades Gêmeas. A ocupação brutal do ICE nas Cidades Gêmeas tornou a questão da greve uma realidade aqui, e precisamos que esse impulso se espalhe por todo o país. A única força que pode derrotar Trump não é o Partido Democrata ou os tribunais, mas a classe trabalhadora, e será necessária uma greve nacional para lhe dar um golpe decisivo.
Trump lidera um regime nacionalista, racista e autoritário, determinado a enriquecer as corporações e iniciar guerras. Seu regime faz parte de um fenômeno global enraizado na crise do capitalismo, da qual as classes dominantes estão tentando sair por meio de guerras imperialistas e campanhas de terror nacionalista. Trump e outros como ele ao redor do mundo não recuarão, a menos que os obriguemos. A única linguagem que ele entende é o poder, e a arma mais poderosa que a classe trabalhadora tem é o nosso poder de paralisar a economia capitalista. Através da organização de greves políticas de massas, o nosso movimento pode ganhar a experiência necessária para ir além – expulsar o ICE de Minnesota pode exigir greves de massas sustentadas que criem uma emergência política e econômica para o regime de Trump. Em última análise, precisamos atacar a raiz do sistema capitalista que tornou o ICE possível e lançar as bases para um mundo socialista.
Greve total em 23 de janeiro! Nem uma única detenção!
Defendemos – e achamos que o movimento deve lutar por:
- Fora o ICE de Minnesota e de todos os lugares! Preparem-se para a maior greve de um dia possível na região metropolitana das Cidades Gêmeas em 23 de janeiro, juntamente com ações de solidariedade em todo o país!
- Cadeia para Jonathan Ross, o agente do ICE que assassinou Renee Good!
- Fim de todas as deportações! Legalização incondicional imediata e direitos iguais para todos os imigrantes sem documentos, independentemente de sua situação profissional.
- Abolir o ICE e usar seu orçamento de US$ 170 bilhões para financiar escolas públicas, expandir programas como o SNAP [programa de assistência alimentar] e construir moradias acessíveis de alta qualidade.
- Fechar todos os centros de detenção com fins lucrativos! 32 pessoas morreram sob custódia do ICE em 2025: tirem o GEO Group e a CoreCivic do mercado!
- Moratória de despejos agora! Milhares de trabalhadores alvos do ICE correm perigo ao ir trabalhar e terão dificuldade em pagar o aluguel.
- Os democratas não podem e não vão parar Trump e o ICE: precisamos de um novo partido para os trabalhadores!














