Capitalismo significa guerra – a segunda edição da Marxismo Internacional está a caminho!
Após o sucesso da edição nº 1 da Marxismo Internacional, a nova revista política da ASI, a segunda edição está sendo impressa em todo o mundo neste momento!

Esta edição tem como chamada de capa “Capitalismo significa guerra – Construir um movimento contra a guerra e o imperialismo”.
Nesta edição:
- A necessidade urgente de um novo movimento internacional antiguerra
- Após dois anos de guerra e genocídio: Como os palestinos podem conquistar a libertação?
- Ucrânia: uma guerra que definiu uma época
- África: a terra esquecida de permanentes conflitos e guerras
- Quando os trabalhadores barraram guerras
- A corrida armamentista mais perigosa da história da humanidade
- A classe dominante dos EUA e a “Síndrome do Afeganistão/Iraque”
Para adquirir seu exemplar, mande uma mensagem para: lsr.asi1974@gmail.com. A versão impressa custa 20 reais e a digital 12 reais. Para o envio da versão impressa há um acréscimo de 7 reais por exemplar.
Publicamos abaixo o editorial desta edição:
Editorial: escalada da guerra, militarismo e a crescente maré de resistência
Não é difícil entender por que a guerra e o militarismo são o tema da edição nº 2 da Marxismo Internacional. As manchetes em todo o mundo são dominadas por notícias de novas escaladas em zonas de conflito, imagens horríveis de crianças famintas e prédios destruídos, e a crescente devastação climática alimentada pela militarização e pela guerra. Enquanto esta edição estava sendo redigida, novos desdobramentos continuaram a acontecer, incluindo a incursão de drones russos no espaço aéreo polonês e ataques mortais dos Estados Unidos a barcos civis venezuelanos que supostamente transportavam drogas. É quase certo que mais escaladas ocorrerão após a impressão desta revista.
De Gaza à Ucrânia, passando por Sudão e além, as guerras continuam e as “linhas vermelhas” estabelecidas pelas classes dominantes são ultrapassadas repetidamente. Como marxistas, não estudamos esses acontecimentos como um exercício acadêmico, mas sim para compreender o mundo em que vivemos, a fim de transformá-lo. É importante ressaltar que as escaladas sangrentas dos conflitos não têm sido os únicos acontecimentos recentes.
O movimento antiguerra também deu um passo qualitativo com ações dos trabalhadores em vários países, incluindo as greves gerais massivas na Itália ligadas à Flotilha Global Sumud para levar ajuda ao povo faminto de Gaza. A Alternativa Socialista Internacional tem atuado ativamente no movimento contra o genocídio em Gaza e nas lutas contra todas as guerras imperialistas e o aumento do poderio militar em todo o mundo. Também trazemos conosco lições da história – das lutas e movimentos dos trabalhadores que impediram guerras –, algo que é desesperadamente necessário hoje.
Guerra e militarismo hoje
Esta edição analisa mais profundamente as principais guerras que estão ocorrendo globalmente e, fundamentalmente, o desenvolvimento e a necessidade da luta da classe trabalhadora em oposição a elas. A guerra na Ucrânia, evento que define uma época, continua após mais de três anos e meio, apesar das promessas de Donald Trump de encerrá-la no primeiro dia de sua presidência. O acordo de cessar-fogo em Gaza, embora seja um alívio bem-vindo, não oferece paz genuína para as massas palestinas ou para a classe trabalhadora da região de forma mais ampla. Trump tem desfilado por aí sendo celebrado pelo acordo, apesar do fato de que o imperialismo dos EUA apoiou a campanha genocida de Netanyahu o tempo todo e de que as condições catastróficas e a ocupação em Gaza não tenham desaparecido.
As guerras com o maior número de mortos, muitas vezes as menos cobertas pela mídia, estão no continente africano. Esses conflitos trazem as marcas do colonialismo e do imperialismo que devastaram vastas áreas do globo. Além das guerras “principais” que se desenrolam hoje, há uma série de outras guerras e conflitos que nem mesmo são cobertos, incluindo a recente guerra entre Índia e Paquistão, o conflito na fronteira entre Camboja e Tailândia e os confrontos entre Afeganistão e Paquistão.
O pano de fundo dessas conflagrações é o conflito latente entre o imperialismo dos EUA e da China – duas potências que buscam uma nova divisão do mundo. No que é essencialmente uma batalha entre dois animais encurralados, ambos os regimes enfrentam suas próprias fraquezas e crises internas. O regime de Trump está empreendendo uma campanha dramática para disciplinar a classe trabalhadora e se preparar para enfrentar a China. O recente desfile militar na China é apenas uma amostra do tipo de propaganda de guerra que está ocorrendo, um elemento da preparação contínua para a guerra.
Em todo o mundo, governos de direita têm vencido eleição após eleição. Eles estão rufando os tambores da guerra, e ideias reacionárias estão sendo repaginadas como novas e “antiestablishment”. O militarismo crescente está ligado à reafirmação dos papéis de gênero “tradicionais”, ao machismo, à homofobia, à transfobia, bem como ao nacionalismo e ao racismo. É a classe trabalhadora que paga o preço das guerras, em alguns casos com nossas próprias vidas, mas também através das consequências da austeridade.
É urgentemente necessário um movimento generalizado contra todas as guerras imperialistas e o militarismo. No entanto, embora esse tipo de movimento ainda não tenha se desenvolvido e a propaganda de guerra tenha impacto, as classes dominantes globalmente não têm um cheque em branco para suas aventuras belicistas. Ainda há oposição substancial em muitos países à intervenção direta de seus governos em conflitos. A direita populista, incluindo Trump, tem repetido uma falsa mensagem antiguerra, em parte devido ao fato de que uma parcela de sua base, até agora, não tolera mensagens abertamente pró-guerra. Como explicam artigos desta edição, a classe dominante dos EUA ainda está lidando com o legado da invasão do Afeganistão e do Iraque, semelhante à “síndrome do Vietnã” e à oposição às aventuras imperialistas estrangeiras após a derrota do imperialismo estadunidense na Guerra do Vietnã.
Resistência de massas
Esta é uma nova era de guerra e militarismo, mas é também uma era de resistência. O movimento contra o genocídio em Gaza tem sido o movimento global mais substancial dos últimos anos. A oposição veio não apenas de lugares distantes, mas também de dentro de Israel. Diante da intensa repressão contra o movimento antiguerra em vários países, o seu caráter contínuo e internacional é notável.
Uma nova fase do movimento se abriu, com a classe trabalhadora e a esquerda desempenhando um papel mais decisivo. Em setembro, 100 mil pessoas saíram às ruas de Berlim em uma manifestação convocada pelo partido de esquerda, Die Linke, contra o genocídio, o maior protesto em solidariedade à Palestina na história do país. A Flotilha Global Sumud foi uma faísca que ajudou a inflamar ainda mais o movimento, ligando a ação corajosa de ativistas de todo o mundo à ampla mobilização nas ruas do Estado Espanhol e da Itália. A ação de trabalhadores portuários em vários países e, o mais importante, as greves massivas na Itália apontam o caminho para o desenvolvimento do movimento antiguerra. Essas ações poderiam ser ampliadas com uma nova flotilha de ajuda – apoiada por uma greve geral em toda a Europa e no Oriente Médio – para romper o cerco e enfrentar urgentemente a crise humanitária em Gaza. A resistência de massas e a ação da classe trabalhadora são as únicas respostas à crescente ameaça de guerra.
A história das revoltas de trabalhadores que encerraram guerras com sucesso – incluindo a Revolução Russa e o movimento contra a Guerra do Vietnã – oferece lições cruciais para o movimento antiguerra de hoje. Para ser bem-sucedido, o movimento deve utilizar métodos de luta de massas e incluir o envolvimento ativo da classe trabalhadora organizada. O movimento antiguerra deve assumir uma posição independente que rejeite todas as potências imperialistas e as “soluções” impostas pelas forças capitalistas. Em última análise, o resultado das guerras não será decidido apenas nos campos de batalha. O que é necessário é uma luta política contra a classe dominante que envia as pessoas da classe trabalhadora para o matadouro.
Acabar com as guerras significa acabar com o capitalismo
Marxismo Internacional, revista política da ASI, foi lançada devido à necessidade urgente de lidar com questões monumentais que o movimento da classe trabalhadora enfrenta hoje. Guerras “quentes”, sangrentas e em grande escala não são coisa do passado, elas são realidade aqui e agora. A necessidade de acabar com a devastação da guerra que ameaça toda a humanidade e o meio ambiente é bastante clara. Em vez de trazer “progresso” ou elevar os padrões de vida, o capitalismo oferece uma destruição sem precedentes que representa uma ameaça existencial para a humanidade. Entramos em uma nova era na história do capitalismo caracterizada por um conflito interimperialista acentuado e um crescente militarismo. A busca insaciável por lucro e crescimento inerente ao sistema capitalista leva à divisão e redivisão do mundo. A luta para acabar com o militarismo e a guerra imperialista deve, necessariamente, ser uma luta contra o próprio capitalismo e por um mundo socialista.















