Gaza: Nova fase da guerra genocida — ação dos trabalhadores para acabar com a guerra e o imperialismo

Enquanto o povo de Gaza vive em meio à fome, com a ajuda humanitária cortada nos últimos meses, o Estado israelense aproveita a oportunidade para intensificar o massacre

Nos últimos 1 ano e 9 meses, o povo de Gaza enfrentou uma guerra de extermínio nas mãos do Estado israelense, apoiado incondicionalmente pelas potências imperialistas dos Estados Unidos e da Europa, incluindo a Grã-Bretanha. Este crime histórico é o exemplo mais marcante da depravação do sistema capitalista podre visto neste século.

Estimativas oficiais relatam mais de 57 mil pessoas mortas em Gaza, embora o número real de mortos seja provavelmente várias vezes superior a este. 93% das construções em Gaza foram destruídas, com até 10 mil pessoas mortas sob os escombros. Um estudo apresentado na revista Nature afirma que 84 mil pessoas morreram entre outubro de 2023 e janeiro de 2025. Toda a população de 1,9 milhão de pessoas foi deslocada, repetidamente forçada a evacuar alojamentos temporários e abrigar-se — na melhor das hipóteses — em tendas, sob condições extremamente difíceis. Sem fim à vista, o governo de Netanyahu está promovendo ainda mais o genocídio e visa a limpeza étnica, forçando os palestinos a sair de Gaza, em uma segunda “Nakba” (que significa “catástrofe”, em referência à expulsão em massa dos palestinos de suas casas e comunidades em 1948).

Nos últimos meses, desde o início de março, a guerra de extermínio se intensificou de maneiras horríveis. Desde o lançamento da “operação Carruagens de Gideão” em maio, com o objetivo de assumir o controle total de Gaza, as forças estatais israelenses assumiram o controle total de mais de 65% da faixa. A população foi forçada a se deslocar mais para o sul.

Enquanto o povo de Gaza vive em situação de fome ou perto dela, com a ajuda humanitária cortada nos últimos meses, o Estado israelense aproveitou a oportunidade para intensificar o massacre. Por meio da repugnante e mal nomeada “Fundação Humanitária de Gaza”, quatro “locais de ajuda” foram criados. Na realidade, esses locais são armadilhas mortais. Neles, o exército israelense tem disparado rotineiramente contra multidões, assassinando sistematicamente centenas de civis. Aqueles que ainda vivem enfrentam uma escolha impossível: de um lado, a fome; do outro, arriscar suas vidas por suprimentos de ajuda humanitária extremamente limitados nessas instalações.

O Estado israelense não tem intenção de parar sua campanha genocida. Apesar das recentes negociações sobre um cessar-fogo temporário, o governo de Netanyahu ainda é explícito sobre seus planos de “assumir o controle de toda a Faixa de Gaza”. Uma trégua de 60 dias seria apenas uma desculpa para as forças israelenses se reorganizarem e prepararem o terreno para a próxima etapa da limpeza étnica. Atualmente, isso inclui planos para o deslocamento forçado de toda a população para campos de concentração na fronteira ou para fora da área — embora esteja longe de ser garantido que eles consigam levar adiante esses planos.

Enquanto isso, o Estado israelense, apoiado pelos EUA, está encorajado por sua força militar na região, reforçada pelo colapso do “eixo da resistência” liderado pelo Irã. O exército israelense aumentou seus ataques à Cisjordânia e ataca regularmente alvos na Síria e no Líbano.

Intensificar o movimento de solidariedade internacional

Em resposta à escalada dos últimos meses — ou, mais precisamente, à enorme indignação dos trabalhadores, dos jovens e do movimento de massas internacional — alguns governos ocidentais derramaram lágrimas de crocodilo, fazendo apelos evasivos por um cessar-fogo. Mas a “guerra de 12 dias” com o Irã revelou a falsidade dessas declarações.

Os governos da Grã-Bretanha, França e Canadá, que apenas uma semana antes haviam começado a criticar as ações de Israel, rapidamente se alinharam, apoiando os ataques israelenses ao Irã e voltando ao mantra do “direito de Israel de se defender”. O governo de Keir Starmer, na Grã-Bretanha, chegou a proibir o grupo de protesto Palestine Action como organização terrorista — com seus apoiadores correndo o risco de pegar até 14 anos de prisão. O crime deles foi pintar com tinta spray caças da Força Aérea Britânica. Enquanto isso, o governo britânico não tem problema em continuar seus fornecimentos de armas para ajudar o terrorismo de Estado israelense.

A luta de massas aponta o caminho a seguir para impedir o massacre. O histórico movimento de solidariedade de massas mostrou a enorme escala de solidariedade da classe trabalhadora internacional com o povo da Palestina.

No entanto, 20 meses de manifestações de massas ainda não foram capazes de impedir o extermínio dos palestinos. O imperialismo estadunidense, com Trump no comando, foi levado de volta ao Oriente Médio para defender sua presença na região, representada por suas próprias forças militares ao lado do regime israelense. Apesar de suas palavras de condenação, a prioridade para governos como o da Grã-Bretanha e da França continua sendo o fortalecimento do bloco militar da OTAN, garantindo o comércio com os EUA, bem como defendendo seus próprios lucros na região.

Somente a classe trabalhadora pode pôr fim ao derramamento de sangue. Com ações e greves dos trabalhadores, nenhuma arma poderia ser produzida ou transportada. Vimos um vislumbre disso na ação dos trabalhadores portuários em vários portos europeus no mês passado, que se recusaram a carregar armas em navios com destino a Israel. Isso precisa ser amplamente adotado, como parte de um boicote internacional coordenado dos trabalhadores às armas israelenses, que teria o poder de parar a máquina de guerra.

Para finalmente acabar com a opressão do povo palestino, garantir a paz no Oriente Médio e os direitos nacionais e democráticos de todos os grupos da região, precisamos lutar contra o sistema capitalista e imperialista que fundamentalmente leva o mundo a mais e mais guerras, como parte de uma luta pela mudança socialista internacional.

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