A Flotilha Sumud foi atacada, mas já foi vitoriosa

Uma nova fase da luta contra o genocídio – a classe trabalhadora deve bloquear tudo  (#blockeverything) 

Na calada da noite de 1º de outubro, um ataque covarde por terroristas do Estado israelense interceptou a Flotilha Global Sumud. No momento em que este artigo foi escrito, parece que alguns dos cerca de 50 barcos que compunham a flotilha ainda continuam em sua missão heroica de furar o bloqueio de fome de Gaza. 

No entanto, mesmo que a flotilha seja completamente parada, sua jornada ainda será lembrada como um ponto de inflexão crucial, mostrando um caminho a seguir em meio à barbárie indescritível do genocídio. Pela primeira vez em quase dois anos, a ideia de uma ação massiva e direta da classe trabalhadora para salvar o povo de Gaza foi abraçada por milhões e a classe trabalhadora – a única força com poder para derrotar os senhores da guerra – entrou na luta de forma decisiva.

Os 500 participantes da flotilha – muitos dos quais são socialistas e sindicalistas – são heróis, e a missão é de importância crucial em si mesma. Mas muito mais importante é a nova fase do movimento de massas – na Europa em particular – que os acompanhou em sua jornada.

Dezenas de milhares participaram no lançamento da flotilha em Barcelona, no final de agosto. Em seguida, em  14 de setembro, 100 mil desafiaram a tropa de choque em Madrid para bloquear a corrida de ciclismo “Vuelta de España”, em solidariedade com Gaza. Mas o passo mais significativo foi dado na Itália, em  22 de setembro, quando milhões saíram às ruas em apoio a uma greve geral parcial em solidariedade com Gaza e em defesa da flotilha. Houve manifestações em 75 cidades, com 100 mil participantes em Bolonha e 60 mil em Milão. 

Embora ações importantes dos trabalhadores tenham sido realizadas anteriormente contra o genocídio – principalmente pelos trabalhadores portuários e por sindicatos menores e mais combativos na Itália e na Espanha – essa greve foi de uma qualidade diferente. Um apelo da pequena central combativa USB pressionou a maior central sindical da Itália, o CGIL, a convocar uma greve de duas horas em todos os turnos. Além disso, os mesmos sindicatos se comprometeram a convocar outra greve geral, desta vez de um dia inteiro, se a frota fosse interceptada. Esta nova greve histórica ocorrerá em 3 de outubro.

Governos hipócritas sob pressão – mas o sangue permanece em suas mãos

É claro que não é coincidência alguma que tenha sido nesses países – Itália e Espanha – no epicentro da nova fase militante do movimento, que os governos foram obrigados a enviar navios de guerra ao Mediterrâneo, supostamente para escoltar a frota. Temendo a ira de seu próprio povo, o governo turco fez o mesmo. Mas essas ações foram, obviamente, meramente simbólicas e, de fato, nenhuma marinha estava à vista em 1º de outubro, quando a frota mais precisava de proteção.

Essas ações fazem parte de um padrão em que governos que, por dois anos, foram cúmplices no armamento e na defesa do genocídio, começaram a criticar o governo de Netanyahu, muitas vezes usando uma retórica forte. Em setembro, Canadá, Reino Unido, França e Austrália estavam entre as potências ocidentais que tomaram a medida diplomática de “reconhecer” um Estado palestino, enquanto o regime israelense usa força assassina para tentar fechar as portas a qualquer possibilidade real de viabilidade desse Estado.

Essa retórica dura não tem nada a ver com a defesa da Palestina e tudo a ver com o medo desses governos da oposição da classe trabalhadora. Sua hipocrisia vergonhosa foi confirmada poucos dias depois, quando se alinharam para saudar o chamado “plano de paz” de Trump e Netanyahu, que “oferece”, em troca da rendição total, apenas um novo regime de ocupação liderado (literalmente) por Trump e pelo criminoso de guerra Tony Blair.

A Itália mostra o caminho – Bloquear tudo com uma greve geral europeia e do Oriente Médio contra o genocídio

A flotilha e a classe trabalhadora italiana mostraram que ações militantes podem abalar governos cúmplices do genocídio. Em resposta ao ataque à flotilha, o movimento deve ser intensificado ainda mais!

Os sindicatos de toda a Europa devem coordenar uma greve geral em todo o continente. As ações heroicas dos trabalhadores portuários em bloquear a cargas israelenses devem ser intensificadas para um bloqueio permanente. Igualmente crucial, o movimento da classe trabalhadora no Oriente Médio, especialmente no Egito, onde o regime é um participante ativo no cerco de Gaza, deve seguir o exemplo da Itália. O movimento de massas da juventude marroquina atualmente em curso ressalta o potencial da região para explodir em luta.

Um movimento unido de protestos e greves gerais em toda a Europa e no Oriente Médio atingiria o genocídio mais fortemente do que qualquer coisa já vista até agora. Tal movimento pode abrir o caminho não apenas para acabar com o massacre, mas também para substituir os governantes capitalistas em toda a região, cuja colaboração com o genocídio nunca será esquecida. 

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