Chile: Diante da vitória de Kast – organizar a resistência contra a extrema direita com base em uma alternativa socialista!

O segundo turno das eleições no Chile teve um resultado esmagador a favor do ultradireitista José Antonio Kast, com 58,16% dos votos contra 48,4% de Jeannette Jara. A votação de Kast tem uma importância histórica terrível.
Nunca na história do Chile um candidato havia obtido tantos votos. Os resultados para Jara são dramáticos: ela venceu em apenas 32 dos 246 municípios existentes no Chile. Kast venceu com folga até mesmo nos municípios mais pobres. Nunca na história recente um candidato da “esquerda” havia obtido, no segundo turno, um resultado tão baixo. Kast venceu em 90% dos municípios do país, Jara apenas na região metropolitana.
Por que Kast venceu?
A promessa de Boric na campanha era enterrar o neoliberalismo, mas desde o início Boric girou à direita, integrando ao governo figuras da antiga aliança pró-capitalista Concertação e recuando em compromissos ambientais, como o fechamento da refinaria de Ventanas (Valparaíso).
Em seguida, ele perde o plebiscito sobre a nova constituição e começa uma queda vertiginosa no apoio popular. Boric e seu governo aprofundaram as políticas neoliberais. Sua política foi de restaurar a institucionalidade com base no acordo pela paz assinado em 15 de novembro de 2019 como resposta do sistema ao levante popular.
A direita então partiu para a ofensiva, compreendendo que se tratava de um governo sem apoio popular, e impôs sua política, acordando o tratado de livre comércio TPP 11, o fechamento da refinaria de Paipote, o fechamento da siderúrgica Huachipato nas proximidades de Concepción, provocando o fechamento de outras empresas na zona e afetando mais de 30 mil postos de trabalho.
A resposta do governo foi a lei de licenciamento ambiental, abrindo caminho para o extrativismo e o desmatamento desenfreados. Segundo o governo, o objetivo era agilizar projetos para abrir novas fontes de emprego. Em seguida, este ano, entregou o lítio à empresa SQM, da família Pinochet, para sua exploração por 60 anos, dando ao Estado chileno ganhos miseráveis.
A aprovação de leis repressivas contra os moradores em ocupações de terras, a lei do gatilho fácil para perseguir o povo Mapuche e o aprofundamento da lei de segurança interna do Estado, originária da ditadura, são formas de criminalizar a luta pelos direitos à moradia, educação, etc. Ou seja, este governo estendeu o tapete vermelho para a chegada da extrema direita ao poder.
Voto de castigo
Governar por quatro anos com a ex-Concertação, cedendo o programa à direita, teve seu preço e a classe trabalhadora cobrou por isso. Estas eleições são uma repulsa generalizada à gestão do governo de Boric e sua coalizão. No entanto, nada mudará para melhor para os milhões de trabalhadores formais e informais, muito menos para os setores oprimidos da sociedade, como mulheres, crianças e povos originários, especialmente o povo Mapuche.
No governo, veremos que Kast não poderá cumprir suas propostas demagógicas, como eliminar a criminalidade e a migração irregular. Primeiro porque são eles mesmos que estão no topo das listas de corrupção multimilionária no país e, segundo, porque os empresários precisam de mão de obra estrangeira mais barata para continuar aumentando suas riquezas. A impunidade diante do crime continuará com mais força, não haverá justiça com os roubos e o narcotráfico por parte da polícia. Não houve sob o governo de Boric, menos ainda haverá sob o governo de Kast.
Jara e sua coalizão, sem qualquer autocrítica, tendem a culpar o povo como se fossem fascistas pobres e ignorantes, o que revela arrogância e falta de compreensão da realidade. Vivem como no Olimpo. A responsabilidade pela suposta ignorância é deles mesmos. No poder, promoveram subsídios à imprensa burguesa e o fechamento de meios de comunicação alternativos.
Nenhuma confiança nos atuais partidos do regime
Surgiram vozes da coalizão de Jara que afirmam que se levantarão como oposição se Kast tentar retirar “benefícios”. Mas isso parece muito difícil, pois, desde já, Jara e Boric se mostraram publicamente dispostos a colaborar com o futuro governo de Kast.
Desde a Alternativa Socialista Internacional (ASI) no Chile, fazemos um apelo a todos os jovens e trabalhadores em geral para que se organizem. A grande tarefa pendente é derrotar toda a institucionalidade pinochetista e o sistema que a sustenta.
Derrotar a institucionalidade pinochetista é uma tarefa pendente e, para isso, devemos avançar no desenvolvimento da organização nas comunidades e locais de trabalho e estudo. Agora é o momento de nos articularmos como classe a nível nacional.
Tempos difíceis se aproximam para a economia chilena e mundial. O governo de Kast não só atacará nossos direitos, como também nos perseguirá com maior facilidade, já que contará com todas as leis repressivas criadas durante o governo de Boric. Devemos nos preparar para lutar por nossos direitos e para que os super-ricos paguem pela crise, e não nós.
Organizar a resistência contra Kast e a luta por uma alternativa autêntica dos trabalhadores
Convidamos você a se juntar a nós na construção de uma alternativa política de nossa classe. Uma alternativa ampla que inclua os estudantes, os conselhos e assembleias territoriais em nível nacional, as mulheres e todos os setores oprimidos que resistem. Uma alternativa que reúna os trabalhadores dos diferentes ramos de produção do país que hoje lutam contra a precarização, as demissões, a terceirização e os milhares de abusos trabalhistas.
Nosso principal objetivo como classe deve ser lutar por um verdadeiro governo dos trabalhadores, que expresse a vontade da juventude, das mulheres e de todos os setores oprimidos. Que tenha como ponto principal em seu programa a nacionalização de nossos bens minerais, água, florestas, mar, etc., sob o controle e a gestão dos trabalhadores, com o único objetivo de dar uma solução definitiva aos problemas de moradia, saúde, educação, etc.
É necessário elaborar um plano de luta, desde mobilizações locais até a concretização de uma greve geral. Precisamos lutar para mudar nossas condições de vida a partir de um programa concreto de demandas e transformações profundas desta sociedade, um programa socialista genuíno.
É por isso que lutamos, nós que construímos a Alternativa Socialista Internacional (ASI) no Chile. Junte-se a nós!
- Construir uma verdadeira oposição de esquerda de massas ao governo, capaz de organizar a resistência aos ataques de Kast e acumular forças por uma alternativa socialista dos trabalhadores!
- Por um governo dos trabalhadores com um programa anticapitalista pelo socialismo
- Pela nacionalização de todas as nossas riquezas minerais sob gestão e controle dos trabalhadores para garantir saúde e educação gratuita de qualidade
- Fim do nefasto sistema de aposentadorias, o AFP
- Liberdade e justiça para todos os presos mapuches e da rebelião de 2019















