Consolidar e aprofundar as vitórias do congresso do Your Party: organize-se!

• Vamos com tudo para chegar a 100 mil membros! Construir núcleos democráticos e de massas, enraizados na luta da classe trabalhadora.
• Continuar a luta pela máxima democracia para os membros – por um Comitê Executivo Central com uma direção socialista!
• Sair das salas de reunião e ir para as ruas! Apoiar a manifestação nacional de março de 2026 contra a extrema direita e construir um bloco socialista de massas.
Apesar das recentes dificuldades e batalhas internas, o Your Party (Seu Partido, YP) foi finalmente fundado oficialmente. No fim de semana de 29 e 30 de novembro, mais de 2 mil membros do YP se reuniram em Liverpool para fundar o que já é o maior partido socialista da Grã-Bretanha desde a década de 1940.
Ninguém deixou de notar os acirrados debates que ocorreram no plenário do congresso. Isso se seguiu a meses de crise, disputas públicas e difamações – particularmente dirigidas contra Zarah Sultana – que levaram a um dramático enfraquecimento do entusiasmo em torno do projeto.
Membros se organizam para resgatar o partido
Mas, apesar das “cenas lamentáveis” amplamente divulgadas, esta conferência foi, sem dúvida, um enorme sucesso para os socialistas. Após meses de organização pelas bases, pessoas da classe trabalhadora viajaram de todo o país para fazer suas vozes serem ouvidas e moldar o desenvolvimento do partido. Graças a isso, várias vitórias históricas foram alcançadas, que estabelecem as bases para continuar a construir o YP e distingui-lo claramente dos partidos pró-capitalistas.
Entre outras coisas, o congresso votou por maioria esmagadora a incorporação do socialismo na declaração política fundadora do partido e reafirmou o papel central da classe trabalhadora e do movimento de trabalhadores em nossa luta por mudanças. Uma emenda apresentada por um membro da Alternativa Socialista, comprometendo o partido com a luta pela libertação trans, também foi aprovada por ampla maioria. Isso deixou claro, após declarações feitas por parlamentares anteriormente ligados ao partido, que defendemos inequivocamente a libertação contra toda forma de opressão.
Propostas reivindicando que o YP lute contra a austeridade e contra cortes orçamentários nos governos locais também foram aprovadas de forma decisiva. O congresso também votou pela criação de uma direção coletiva eleita, demonstrando um compromisso real com a criação de um partido genuinamente controlado por seus membros e responsável perante a classe trabalhadora.
Essas conquistas foram obtidas apesar das tentativas de impedir que muitas moções fossem sequer ouvidas. Os membros do partido enfrentaram uma série de manobras vergonhosas por parte do grupo que dirigia o congresso, que não era responsável perante a base. Várias rodadas de obstrução (discursos longos programados para tirar emendas controversas da agenda) provocaram tumulto no plenário do congresso.
Das centenas de emendas apresentadas pelos membros, apenas uma foi debatida e votada durante o primeiro dia. Uma proposta extremamente popular para que os deputados recebessem o salário médio de um trabalhador qualificado foi considerada irregular, supostamente devido a um erro ortográfico! A luta por representantes de trabalhadores com salário de trabalhador continua sendo um princípio fundamental para o movimento da classe trabalhadora e deve continuar sendo defendida.
Caça às bruxas rejeitada
Um dos abusos de poder mais descarados ocorreu na noite anterior ao início do congresso, quando vários membros do YP foram expulsos por pertencerem a organizações socialistas existentes previamente. Em muitos casos, esses ativistas só descobriram que haviam sido expulsos quando já haviam chegado a Liverpool. Essa ação escandalosa foi recebida com oposição generalizada dentro e fora do auditório. O YP, como um partido de massas da esquerda, inevitavelmente conterá uma ampla gama de opiniões, incluindo as de pessoas já ativas em organizações socialistas.
Quando existem divergências políticas, elas devem ser debatidas de forma aberta, democrática e transparente – não por meio de expulsões burocráticas, declarações hostis à imprensa ou caças às bruxas. Portanto, foi bem-vinda a aprovação por esmagadora maioria da resolução que afirma o direito dos socialistas de ter “dupla filiação”, repreendendo claramente a caça às bruxas dos líderes autoproclamados do partido.
Essa decisão deve agora levar à reintegração de todos os socialistas expulsos do Your Party, respeitando o direito de todos que compartilham os objetivos básicos do partido – amplamente definidos na declaração política fundadora – de se organizar e apresentar suas ideias.
E agora?
Os ganhos obtidos pela esquerda no congresso devem agora refletir-se genuinamente na vida cotidiana do partido, em vez de permanecerem apenas palavras no papel. O compromisso do congresso com as ideias socialistas precisa ser concretizado e conectado com as lutas atuais. Isso deve se refletir nas campanhas eleitorais do partido, nas redes sociais e no material impresso.
Sugestões de como isso pode ser feito já estão presentes nas ideias políticas apresentadas por Zarah Sultana, que começou a esboçar algumas das ideias socialistas mais abrangentes e claramente definidas divulgadas a um público de massas na Grã-Bretanha em décadas. Além de defender impostos sobre a riqueza e a propriedade pública dos serviços públicos, Sultana expandiu essa ideia em seu comício pré-conferência para incluir a construção civil, o setor bancário e as principais indústrias. Isso é exatamente o que a Socialist Alternative vem defendendo.
É claro que os super-ricos e a classe capitalista não vão simplesmente aceitar reformas pró-classe trabalhadora sem uma luta monumental. Para resistir à chantagem deles, devemos, em última instância, lutar para tirar o controle da economia das mãos deles.
Em vez de apenas tributar os bilionários (por mais bem-vindo que isso seja!), temos que lutar por uma sociedade onde os bilionários não possam existir. Isso significa lutar pela propriedade pública dos setores estratégicos da economia – começando pelas 100 corporações que dominam o capitalismo britânico – sob o controle e a gestão democrática da classe trabalhadora.
Da mesma forma, o compromisso de tornar o YP um partido genuinamente da classe trabalhadora deve se tornar uma realidade, não apenas palavras escondidas no estatuto e ignoradas na prática. Como já foi dito muitas vezes, o YP não pode simplesmente se tornar um “Labour 2.0”.
Isso também significa obedecer as decisões do congresso e apresentar candidatos nas eleições locais de maio de 2026 (e nas eleições para o Senedd [parlamento galês] e Holyrood [parlamento escocês]) com uma plataforma clara contra os cortes. Além de bater de porta em porta e fazer ligações telefônicas, a campanha do partido também deve se basear em lutas reais nas ruas e nos locais de trabalho. O YP deve se tornar um espaço para organizar, ampliar e iniciar as lutas da classe trabalhadora, dos jovens, dos setores oprimidos e do movimento de solidariedade à Palestina.
A marcha nacional contra a extrema direita, convocada para 28 de março e apoiada pela maioria dos sindicatos e do movimento antiguerra, representa uma oportunidade única para colocar essas palavras em ação. O YP não deve apenas apoiar formalmente essa marcha, mas também se preparar para ela com toda a sua energia e recursos. Na própria marcha, o YP deve organizar um bloco socialista de dezenas de milhares de pessoas. Nenhum outro partido, incluindo os Verdes, tem base entre a classe trabalhadora ativa e mobilizada.
Construir os núcleos!
Os membros do YP devem consolidar e aprofundar os ganhos obtidos no congresso. Isso requer a construção de núcleos fortes, independentes e democraticamente organizados. Para recrutar e organizar a próxima geração de socialistas e lutadores, é necessário construir uma organização da juventude e de estudantes forte e autônoma. As reivindicações ignoradas pela liderança na conferência, como o salário dos trabalhadores para parlamentares, devem ser endossadas pelo maior número possível de núcleos, deixando clara a posição dos membros.
Apesar de algumas vitórias importantes na conferência, a luta por um partido socialista genuinamente controlado por seus membros da classe trabalhadora está longe de terminar – ela começa agora. Antes das próximas eleições para o Comitê Executivo Central do partido, apoiamos a formação de uma chapa conjunta, democrática e socialista de candidatos para manter, consolidar e expandir as conquistas obtidas pela base.
A Socialist Alternative estará ativamente empenhada neste esforço para garantir uma direção comprometida com a máxima democracia dos membros e a luta de classes. Trata-se de lutar por um partido que a classe trabalhadora controle, que defenda os nossos interesses e lute pelo futuro socialista de que todos precisamos.















