Marielle presente – agora e sempre!

Dia 14 de março fará um ano do extermínio de Marielle e Anderson. Um ano depois e nenhuma condenação. O silenciamento de uma vereadora socialista, negra, LGBT, trabalhadora – capaz de dar voz aos corpos não chorados, de denunciar, sobretudo o genocídio da população pobre e negra na cidade – numa das principais cidades deste país, chocou o mundo; mas não de modo suficiente os donos do poder.
No início de 2019, entre os suspeitos apontados como possíveis responsáveis pelo assassinato, está o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega. A mãe e a mulher dele foram assessoras do deputado Flávio Bolsonaro. Como se não bastasse, ele também é amigo antigo de do ex-policial militar Fabrício Queiroz, que trabalhava para Flávio Bolsonaro como assessor e motorista. Magalhães, também, segundo a imprensa, é chefe do Escritório do Crime, espaço que reúne matadores especiais diante de suas ordens. Trata-se de uma milícia.
Os indícios são fortes o suficiente para indicar a participação das milícias, direta ou indiretamente, e do clã Bolsonaro. O PSOL incomoda. Uma mulher negra, LGBT, favelada, incomoda ainda mais. Nunca fez tanto sentido que a luta capaz de derrotar este governo de extrema direita, protofascista seria através dos setores mais pauperizados e atingidos pela crise: das mulheres, negras e negros, LGBT’s, do conjunto da classe trabalhadora, das(os) socialistas!
Será Marielle que derrotará Bolsonaro!
Esta afirmação é tão forte quanto o tamanho da nossa dor, com a morte da nossa camarada e de Anderson, seu motorista. Não precisaria justificar esta afirmação diante dos elementos factuais existentes. Contudo, em tempos em que o óbvio precisa ser explicado e a vida da maioria defendida, é necessário localizar a morte da Marielle num contexto de franco ataque às(aos) lutadoras(es) do povo. Infelizmente uma não novidade no nosso país, diante da morte de vários outros e outras ativistas e lutadoras(es), mas talvez de modo inédito, matam uma mulher negra, representante do povo na câmara de vereadores , por ousar desafiar a estrutura escravocrata, machista opressora da sociedade capitalista – simplesmente por dizer o óbvio: nossas vidas importam!
Entender que as características e pautas de luta que Marielle expressava foram capazes de comover e mobilizar milhares de pessoas às ruas, no Brasil e no mundo, é fundamental.
A mobilização no dia seguinte à sua morte provocou certa catarse coletiva, onde todo mundo se sentia parte, membro, e digno de reivindicar justiça! Marielle é maior que nós, que o PSOL, justamente por ser a cara e o corpo do nosso povo. Três de suas assessoras diretas foram eleitas a deputadas estaduais no RJ e este é um forte indício de que sua morte provocou reações de luta, sementes de continuidade.
Da mesma forma nos indica o caminho da luta e da resistência. Dia 14 de março, sairemos às ruas, com o punho erguido e a voz embargada, pedindo justiça à Marielle e Anderson! Mas iremos além, traremos suas pautas ao centro e só sossegaremos quando derrotarmos o governo Bolsonaro, e construirmos um novo sistema no mundo. Somos maioria, somos as produtoras(es) e seremos a semente de um novo tempo.
Justiça por Marielle!
Para nós, lutar por justiça por Marielle passa por combater o racismo, as opressões, o capitalismo. Este extermínio trouxe à superfície toda a memória de uma classe que há séculos luta e chora por corpos injustamente violados, tombados, exterminados, por um sistema que produz a morte do nosso povo como condição de desenvolvimento. A construção de uma ferramenta socialista é determinante para encontramos as verdadeiras respostas à pergunta: Quem matou Marielle e Anderson?
Ainda que nos indiquem nomes, sabemos que estes representam os mesmos que mataram sufocado o jovem Pedro Gonzaga, negro no mercado extra da Barra no RJ, que matam mais de 25 mil jovens negros por ano, as mais de 12 mulheres por dia vítimas de feminicídio, que justificam ser o Brasil o primeiro do ranking dos assassinatos de mulheres e homens trans, que jogam mais 14 milhões de desempregados às ruas, que delega um quarto da sua população que vive abaixo da linha da pobreza.
Lutaremos todos os dias em busca de saber quem matou Marielle, e todos os demais instantes da vida em torno de uma real Justiça! A justiça para nosso povo! Para a grandiosidade do que ela representava! Marielle presente, agora e sempre!
- Exigimos saber quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson! Justiça!
- Lutaremos contra todas as políticas de retirada de direitos que massacram o povo pobre, preto, as mulheres e comunidade LGBT, o conjunto da nossa classe.
- Derrotaremos Bolsonaro com a luta de Marielle – por tudo que ela representa!