Nathan Leung, militante do CIT em Hong Kong, perseguido pelo gigante bancário HSBC

Foi demitido depois de ter participado na greve geral de setembro

Hong Kong enfrenta uma onda de “terror branco” empresarial – demissões, espionagem e intimidação – contra trabalhadores e sindicalistas que manifestam o seu apoio ao movimento de protestos massivos. Nathan Leung Lai Pong, militante da Ação Socialista (CIT em Hong Kong) e trabalhador terceirizado do HSBC, foi demitido em 5 de setembro após participar da greve geral contra o governo dois dias antes e dar entrevistas à mídia sobre a necessidade de um sindicato para trabalhadores bancários.

O HSBC é o maior banco da Europa e o quinto maior do mundo, embora quatro quintos de seus negócios sejam realizados na China e na Ásia. O banco foi tornando-se profundamente comprometido com a ditadura chinesa, sendo que a seguradora estatal Ping An é hoje a maior acionista individual do HSBC.

Nas últimas semanas, empresas de Hong Kong em muitos setores têm sido encorajadas pelo regime chinês a reprimir os sindicatos e trabalhadores que participam dos protestos em massa, as greves gerais (duas desde 5 de agosto) e até mesmo por expressar apoio ao movimento em mídias sociais. Isso mostra as fortes ligações entre o grande capital de Hong Kong e o regime autoritário. O HSBC, juntamente com muitas outras grandes empresas, publicou anúncios pagos em jornais condenando os protestos. Isso também reflete os temores dos capitalistas de que os sindicatos tradicionalmente fracos em Hong Kong pudessem ser fortalecidos e radicalizados como resultado dos atuais protestos em massa .

Uma desaceleração global está chegando, aumentando a perspectiva de demissões, cortes salariais e mais austeridade. Em agosto, o HSBC anunciou a eliminação de 4 mil postos de trabalho em sua força de trabalho global. As empresas em Hong Kong estão utilizando a atual repressão do regime contra os protestos de massa para atacar e enfraquecer os sindicatos. Isto fica evidente no setor aeronáutico, onde pelo menos 20 trabalhadores foram demitidos nas últimas semanas, incluindo a líder de um dos maiores sindicatos de comissários de bordo.

O CIT, juntamente com a campanha “Stop Repression in Hong Kong”, está chamando a realização de protestos internacionais contra o HSBC no dia 2 de outubro em solidariedade a Nathan Leung. Estamos pedindo aos sindicatos, organizações de esquerda e movimentos sociais que se juntem aos protestos e enviem mensagens ao HSBC e à mídia local, protestando fortemente contra os ataques aos sindicatos e aos direitos democráticos em Hong Kong.

Material de campanha, cartazes em inglês e chinês, folhetos, arte de campanha, estarão disponíveis em breve em worldsocialist.net, chinaworker.infostophkrepression.net.


[Carta de Nathan apresentando seu caso, para ser usado em sindicatos ou na mídia]

Protesto contra a repressão do HSBC contra sindicalista de Hong Kong

Reintegrar imediatamente o trabalhador bancário Nathan Leung Lai Pong – contra a perseguição sindical!

Eu sou Nathan Leung, um trabalhador terceirizado da Equipe de Serviço a Visitantes do HSBC em Hong Kong. Fui demitido porque participei da greve geral em 3 de setembro, parte dos protestos de massas contra o governo autoritário e a brutalidade policial em Hong Kong. Participo ativamente numa campanha para a criação de um sindicato no setor bancário e, durante a greve, recebi grande atenção dos meios de comunicação social.

O meu caso é um dos vários em que as grandes empresas de Hong Kong estão tentando privar os trabalhadores do direito à greve e de participação nos históricos protestos de massas, com casos semelhantes na Cathay Pacific e em outras companhias aéreas.

Dois dias depois da greve geral, a empresa terceirizada que presta serviços ao HSBC me informou que o HSBC decidiu demitir-me com o argumento de que não permite que seus funcionários revelem que trabalham para o HSBC quando participam de atividades políticas. Esta é uma prática absurda e antidemocrática por várias razões. O HSBC é uma das maiores empresas e empregadores do setor financeiro de Hong Kong; sua relação com o regime chinês e com o governo local de Hong Kong é, portanto, uma questão de interesse público nos atuais protestos em massa.

Também é impossível não mencionar a empresa para a qual se trabalha no processo de criação de um sindicato. É evidente que a minha demissão faz parte de uma repressão mais ampla contra os sindicatos que participam do atual movimento, e também contra a liberdade de expressão e de associação, que estão inscritas nas leis de Hong Kong.

A empresa terceirizada ofereceu-me uma posição alternativa, com a condição de eu não protestar contra a decisão do HSBC nem fazer mais referências ao HSBC e às suas ações contra mim. Isto era inaceitável, pois constituía uma ordem de amordaçamento e significaria que eu consentia na violação antidemocrática do meu direito de criar um sindicato e de participar em protestos legais e pacíficos. Recuso-me a aceitar isto e, em vez disso, tenho a intenção de continuar a trabalhar em prol da criação de um sindicato democrático para os trabalhadores do setor bancário e financeiro em Hong Kong, a fim de defender os nossos direitos, incluindo o direito à liberdade de expressão.

O HSBC, juntamente com outras grandes empresas de Hong Kong, tem se submetido reiteradamente à ditadura chinesa sob a sua pressão econômica e política. Por exemplo, sob pressão do Gabinete de Ligação da China em Hong Kong, o banco decidiu deixar de fazer sua publicidade em um grupo de comunicação aliado da oposição democrática. Desde o início do movimento de massas pró-democracia em junho, o regime chinês aumentou seus laços com o HSBC. Em agosto, a empresa estatal chinesa Ping An Insurance tornou-se a maior acionista do HSBC. Pouco depois, três altos executivos demitiram-se e o HSBC publicou anúncios pró-governamentais nos jornais, acusando os manifestantes de Hong Kong de “conduzir violência e prejudicar a ordem social”. O HSBC assumiu uma posição completamente contrária ao movimento democrático de Hong Kong. Agora, especialmente desde agosto, vemos uma onda de “terror branco” de várias grandes empresas em Hong Kong, com trabalhadores e sindicalistas sendo vigiados, ameaçados e punidos, incluindo dezenas de demissões motivadas pelo apoio aos protestos anti-governamentais.

Com a ditadura chinesa agora controlando diretamente Hong Kong, a liberdade de expressão e os direitos sindicais não só dos trabalhadores do HSBC como de todos os trabalhadores de Hong Kong serão ainda mais ameaçados. Temos de organizar e resistir em conjunto contra a repressão combinada do Estado chinês e do grande capital chinês.

Continuarei a trabalhar pela formação de um sindicato do setor financeiro e bancário e a protestar contra o papel anti-sindical do HSBC. Espero obter o apoio de outros sindicalistas e trabalhadores em Hong Kong e em todo o mundo, incluindo protestos de solidariedade internacional para apoiar a luta por sindicatos democráticos em Hong Kong e na China.

Todos os trabalhadores do setor financeiro e bancário são bem-vindos para nos ajudar a construir o sindicato. Entre em contato com Nathan:
Telegram: @@Na_un_str
Celular: 62268474

Você pode gostar...