Uma vitória conquistada nas ruas! Vamos por mais, vamos pelo socialismo!

A derrota do bolsonarismo é resultado direto da mobilização da juventude e dos trabalhadores. É preciso seguir lutando para barrar o arrocho fiscal, arrancar novas conquistas e construir uma alternativa socialista.
Em uma virada histórica, o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras impôs uma vexatória derrota para o bolsonarismo e seus apoiadores na Casa Branca e nos governos de extrema direita latino-americanos.
Se no primeiro turno, com uma campanha apática, Lula ficou 2,1 milhões de votos (1,87%) atrás de seu adversário de extrema direita, Flávio Bolsonaro, o cenário se reverteu completamente depois. Em meio a multidões ocupando as ruas em todo o país, o segundo turno conferiu a Lula uma vantagem de 4,4 milhões de votos (3,58%), fazendo com que alcançasse 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Em três semanas, 10,3 milhões de votos a mais se deslocaram para a candidatura de Lula, enquanto apenas 3,7 milhões foram para Flávio. Além de virar votos que antes eram da direita, a maior parte desses votos a mais para Lula veio daqueles que se abstiveram ou anularam seus votos no primeiro turno.
Mais de 3 milhões de pessoas que não haviam ido votar no primeiro turno decidiram depois comparecer aos locais de votação. A abstenção caiu em 80% dos municípios e teve queda maior nas grandes cidades. Tivemos o mais baixo índice de abstenção eleitoral em 20 anos. Os votos brancos e nulos também caíram para os patamares mais baixos desse século. A grande maioria desses votos foi contra a extrema direita e em favor de Lula.
O que fez com que milhões de eleitores se mobilizassem para votar, mesmo não tendo comparecido às urnas no primeiro turno, foi o sinal de alarme representado pelo avanço da extrema direita e o ambiente completamente novo criado pelas massivas e contagiantes manifestações de rua.
O estopim da juventude
Depois do anúncio dos resultados do primeiro turno, com a vantagem de Flávio e o avanço da extrema direita no Congresso e nos estados, o desânimo e decepção presente nas primeiras horas, principalmente na cúpula Lulista, logo foi confrontado pela ação da juventude nas escolas e universidades.
Começando na UFF em Niterói (RJ) já na noite de 5 de outubro e se espalhando por todo o país nos dias seguintes, assembleias e manifestações de rua foram convocadas de forma independente pelo movimento estudantil. Os estudantes nas ruas mostraram o caminho que logo foi seguido por amplos setores da classe trabalhadora e da população em geral.
Tudo isso confluiu para algumas das concentrações de massas mais significativas da história do país, envolvendo milhões de pessoas. Junto com as multitudinárias manifestações na Avenida Paulista (SP) ou em Copacabana (RJ), ações de rua aconteceram em todas as capitais e centenas ou milhares de municípios país afora.
A sensação de força coletiva e a confiança na capacidade de virar o jogo que veio das ruas se espalhou rapidamente e se refletiu em todas as esferas. Foi esse sentimento que fez com que a ação criminosa das big techs nas redes sociais e seus algoritmos, sempre favorecendo a extrema direita, fossem parcialmente neutralizadas pela ação de milhões de pessoas.
O exemplo mais notório disso foi o Canal de WhatsApp do “Exército de Lula”, criado pelo deputado Janones (REDE), inicialmente por fora da campanha oficial de Lula, que chegou a reunir 11 milhões de pessoas agindo de forma coordenada nas redes sociais.
A vitória de Lula, no entanto, não se deu apenas por uma disputa online. Ela aconteceu porque milhões de pessoas não se limitaram a ficar atrás das telas e tomaram as ruas demonstrando uma força invencível. A tomada das ruas e das redes se complementaram em um grande movimento de massas que extrapolou os limites da campanha até então.
As iniciativas nas ruas e nas redes nasceram por fora da coordenação oficial da campanha de Lula. Aos poucos foram sendo canalizadas por ela, mas serviram para superar os enormes limites, erros e o freio político representado pela direção da campanha de Lula desde o primeiro turno. Sem isso o resultado teria sido outro.
Contra o bolsonarismo, apesar dos limites do Lulismo
A maioria obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno desmontou o castelo de cartas difundido pela direção da campanha de Lula de que bastava mostrar o quanto o atual governo tinha sido maravilhoso para que se alcançasse naturalmente a reeleição. Chegaram a espalhar a ilusão de uma vitória definitiva já no primeiro turno.
O resultado de 4 de outubro foi uma ducha de água fria. Provocou pânico, desespero, frustração e confusão, num primeiro momento. Mas a percepção concreta de que o bolsonarismo poderia de fato voltar ao poder logo despertou raiva, medo e indignação. A arrogância e desfaçatez demonstradas por Flávio Bolsonaro e aliados logo após a votação, assim como o anúncio de ataques como o “tesouraço” prometido, funcionaram como uma provocação a mais.
Uma nova dinâmica se criou quando amplos setores da juventude tomaram para si a tarefa de derrotar a extrema direita. Não se tratava apenas de apoiar Lula, mas derrotar o bolsonarismo e todo o mal que ele representa.
A simpatia pela figura de Lula, que cresceu mesmo para essa nova geração, está baseada em sua origem operária e seu passado vinculado às lutas da classe trabalhadora e do povo oprimido. Mas, como geralmente acontece nas campanhas do PT, essa origem de classe foi mencionada apenas simbolicamente, de forma decorativa. A ênfase principal acaba sempre sendo colocada no amadurecimento de Lula como governante, sua capacidade de conciliar opostos e no balanço de suas realizações no governo.
Nessa campanha, a credencial da origem de classe de Lula acabou aparecendo mais por culpa de seu adversário. Um dos pontos altos da campanha de Lula foi quando, no debate da Rede Globo, ele teve que responder à forma jocosa e odiosamente preconceituosa com que Flávio Bolsonaro se referiu aos seus “nove dedos”.
Ao exigir desculpas do adversário “grã fino” que nunca trabalhou na vida e falar sobre a realidade de um jovem de 17 anos que perdeu o dedo numa prensa dentro de uma fábrica, Lula acabou, mesmo que não fosse exatamente essa sua intenção, transmitindo para milhões uma imagem de que essa disputa, no fundo, era uma luta dos de baixo contra uma elite arrogante e repugnante.
Mas Lula não adotou uma posição classista na campanha. Seguiu, principalmente no primeiro turno, a linha que adotou em seu governo: a busca incessante pela conciliação de classes, alianças com setores da burguesia e da direita, moderação e pragmatismo. A questão é que, no segundo turno, a enorme pressão que vinha de baixo, das ruas, acabou obrigando a campanha a assumir contornos mais combativos, de denúncia do bolsonarismo e da extrema direita.
A ênfase nos supostos grandes feitos de seu governo esteve na base do fracasso do primeiro turno. O sucesso do segundo turno não foi uma aprovação de seu governo. Os índices de desaprovação continuaram altos até o dia da eleição, girando em torno de 45% a 51%. O voto em Lula foi essencialmente uma rechaço ao bolsonarismo canalizado por uma figura que, apesar do desgaste de seu governo, tinha uma imagem ligada à preocupação com as camadas mais pobres e oprimidas.
Mercado quer que Lula adote o programa de Flávio
Logo após as eleições, muitos editoriais dos grandes jornais da burguesia usam o argumento de que Lula não deve ver essa vitória como uma aprovação a seu governo como uma forma de pressionar por mudanças numa linha oposta àquela demandada pelas ruas. Eles não estão satisfeitos com a postura conciliatória de Lula, com o novo arcabouço fiscal e as políticas de austeridade já adotadas por esse governo e querem mais, muito mais.
Se Lula tivesse seguido mais à fundo a política “austericida” defendida pelos porta-vozes da grande burguesia teria sido derrotado nas eleições. No primeiro turno, Lula reuniu-se com empresários e banqueiros para tentar convencê-los que tem compromisso com a dita responsabilidade fiscal e não vai fazer nenhuma aventura. Mas essa postura pragmática foi atropelada pelas ruas e Lula teve que ajustar o discurso.
Conquistas importantíssimas, como o fim da escala 6X1, não são resultado da vontade do governo e sim uma conquista das ruas. Essa demanda surgiu dos movimentos sociais e só foi assumida pelo governo depois da pressão de baixo para cima e do risco de derrota eleitoral. Outras medidas – como o reajuste do bolsa família, a renegociação das dívidas das famílias e dos microempreendedores individuais, o fim das ‘bets’, subsídios e desoneração dos combustíveis, ampliação do pé-de-meia – também vão contra a sanha fiscalista do mercado e vieram tarde, tendo sido adotadas no contexto eleitoral.
Isso não significa que Lula mudou de política na sua essência e esse é o grande risco para o novo mandato. No fundo, os comentadores da burguesia pressionam para que Lula adote o programa de seu adversário derrotado nas eleições. Ao fazer isso, Lula poderá transformar uma das mais espetaculares vitórias eleitorais em uma derrota política fatal.
Foi isso que fez Dilma Rousseff (PT) no seu segundo mandato, depois de uma vitória apertadíssima contra Aécio Neves (PSDB) em 2014. Ela indicou um neoliberal explícito para o ministério da fazenda (Joaquim Levy), assumiu uma política de austeridade para atender aos mercados e acabou perdendo apoio de sua base social e virou alvo fácil da direita. O desfecho já conhecemos, um golpe institucional via impeachment, o desastre do governo Temer e um caminho aberto para a ascensão do bolsonarismo e da extrema direita.
A situação atual não é a mesma. A correlação de forças na sociedade mudou drasticamente com as grandes mobilizações de rua e a derrota do bolsonarismo. A força das ruas hoje pode impedir manobras golpistas e arrancar conquistas que furem a lógica “austericida”. Mas quando o governo voltar a adotar uma lógica de reconciliação com os mercados e guardar no armário a “caixa de bondades” e começar a lançar mão do pacote de maldades, o desgaste virá e a extrema direita voltará a levantar a cabeça.
Já vimos como no dia seguinte à derrota de Flávio Bolsonaro, os mercados deram o seu recado. A Bolsa de Valores teve sua maior queda desde 2020, tendo que acionar o ‘circuit breaker’, o dólar disparou e os juros futuros subiram fortemente. A tendência do governo é buscar pacificar e acalmar o mercado financeiro.
Foi isso que fez o atual ministro da fazenda Dario Durigan ao enfatizar a necessidade de um ajuste das contas públicas e defender uma mudança da própria constituição que obrigue o governo a cumprir o centro da meta fiscal, sem margem de tolerância. O verdadeiro nome disso é retrocesso, com cortes e retirada de direitos.
A indicação do novo ministro da fazenda também está na mesa para tentar acalmar os mercados. Além de Durigan, outros defensores do ajuste fiscal estão cotados, como o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, notoriamente conhecido por trair as expectativas de sua indicação ao manter os juros na estratosfera. O governador do Piauí recém reeleito Rafael Fonteles também está cotado, além do próprio vice-presidente Geraldo Alckmin. Todos conhecidos por sua postura dócil diante do mercado e compromisso com um ajuste fiscal duro.
A continuidade das lutas dos trabalhadores, estudantes e do povo oprimido é a única garantia contra novas políticas de ajuste que retirem direitos, ataquem os serviços públicos e cortem investimentos.
Golpismo e extrema direita
Durante a votação no segundo turno, a extrema direita usou de mecanismos escusos para tentar garantir sua vitória. Contaram também com a ajuda de Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O maior exemplo disso foi a sabotagem deliberada no transporte público em grandes centros urbanos, como São Paulo e Salvador.
As denúncias sobre isso começaram a ser feitas desde cedo no dia da votação, mas o TSE não tomou nenhuma medida em relação às autoridades que promoviam a sabotagem. Fez isso mesmo com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia já tendo decretado a prisão do bolsonarista que encabeça a secretaria de de mobilidade da prefeitura de Salvador, que já havia saído do país. O TSE ainda esperou até os últimos minutos, quando muitas urnas inclusive já haviam sido fechadas, para decidir pela extensão do horário de votação.
Depois de concluída a votação e diante da derrota, a extrema direita tentou se aproveitar da confusão gerada nas últimas horas da votação para questionar o processo eleitoral. Mas o próprio PL, partido de Flávio, também havia solicitado extensão do horário no sul do país devido às chuvas.
A derrota foi tão evidente e humilhante que a extrema direita, pelo menos agora, não tem por onde se apoiar para, mais uma vez, tentar melar o processo eleitoral. A fuga vergonhosa de Flávio Bolsonaro para os EUA dois dias depois da derrota e sua carta de “Napoleão de hospício” alegando ser o presidente eleito do Brasil, aprofundou a humilhação e vergonha, dividiu a direita e dificilmente terá consequências imediatas. Sem um apoio explícito de Trump, que está mais preocupado com as eleições de meio de mandato, ou de seu próprio partido, ele acabou recuando da autoproclamação como presidente do “Brazil com Z” para apenas “líder do Brasil”.
Qualquer tentativa de transformar Flávio Bolsonaro num novo Juan Guaidó tende a ter um desfecho ainda mais patético do que no caso do antigo “poodle” venezuelano de Trump. Juan Guaidó foi presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e se autoproclamou presidente do país em 2019 com o apoio de Trump, em seu primeiro mandato, e de vários países europeus e do governo de Jair Bolsonaro. Depois de tentar um golpe fracassado e ser acusado de desviar bilhões de dólares, caiu em desgraça e hoje não passa de mais um capítulo entre o ridículo e o trágico da história política venezuelana.
Donald Trump sofreu uma derrota importante com as eleições brasileiras. Mesmo aconselhado a evitar defender ostensivamente o nome de Flávio Bolsonaro porque, afinal, isso só ajudaria Lula, é evidente que ele trabalhou para a vitória da extrema direita no Brasil. Nosso país seria o elo decisivo de uma sequência de vitórias eleitorais da extrema direita em países como Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Honduras, Equador, etc.
Por mais que Lula priorize um caminho de acordos e reconciliação com os EUA, sua vitória estraga os planos de Trump e sua “doutrina Donroe” de controle do hemisfério ocidental na disputa com a China.
Neste momento, não existem condições favoráveis para uma contra ofensiva golpista por parte do bolsonarismo com apoio ativo de Trump. Nos EUA, uma derrota nas eleições de meio de mandato enfraquece Trump. No Brasil, uma ação golpista mais ostensiva no curto prazo só serviria para provocar uma resposta de massas ainda mais forte e radicalizada.
A extrema direita passará por um processo de reorganização no Brasil depois dessa derrota. Nesse campo reacionário, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas saiu-se como vencedor, tendo sido reeleito já no primeiro turno e mantido certa distância aparente das inconsequências de Flávio Bolsonaro após sua derrota eleitoral.
Em que pese seu governo manter um perfil truculento, com uma Polícia Militar que mata cada vez mais, e com privatizações desastrosas, Tarcísio conseguiu consolidar o perfil de uma extrema direita mais palatável para o grande capital, sem os mesmos riscos e aventureirismo da família Bolsonaro. Deve ser um nome forte nas disputas futuras, mesmo que a família Bolsonaro ainda lute para manter o controle do campo da extrema direita. O nome da recém eleita senadora Michele Bolsonaro, esposa de Jair e com forte base evangélica, pode crescer nesse processo. As disputas e divisões entre eles é inevitável, porém.
De qualquer forma, o imperialismo estadunidense em conjunto com a extrema direita brasileira buscarão criar as condições para novas investidas contra o Brasil. Na medida em que o governo de Lula mantiver um curso moderado e conservador, abrirá caminho para isso. Só a força das ruas, da classe trabalhadora organizada e mobilizada pode ser um contraponto efetivo a um revide futuro da aliança entre extrema direita e imperialismo.
As primeiras iniciativas de mobilização, logo após a eleição, contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, cúmplice da tentativa de manobra golpista através da sabotagem do transporte coletivo durante a votação, são um bom indicativo de como a luta deve generalizar-se contra a direita e extrema direita também nos estados e municípios.
Reconstruir a esquerda socialista
Temos hoje no Brasil uma grande oportunidade para superar uma etapa da luta de classes que foi marcada pela ofensiva da extrema direita, do grande capital e do imperialismo e uma postura defensiva do movimento dos trabalhadores, mulheres, LGBTs, povos indígenas e setores oprimidos da sociedade. Essa postura defensiva se deu por razões objetivas, como a maior dispersão e fragmentação da classe trabalhadora, mas centralmente pelo papel recuado jogado pelas direções hegemônicas da esquerda e dos movimentos sociais.
As mobilizações de massas dos últimos dias abriram uma nova situação política. A sensação de poderosa força coletiva em movimento gerada pelas mobilizações e a vitória de 25 de outubro é o grande diferencial. A aprovação do fim da escala 6X1 poucos dias depois de uma vitória eleitoral da direita no Congresso e nos estados deixa evidente que é possível arrancar conquistas mesmo diante de um Congresso reacionário, um Judiciário corrupto e parcial e um Executivo vacilante, conciliador e conivente com as mazelas do sistema.
Os avanços da direita no primeiro turno não representaram simplesmente um giro à direita na sociedade. Ele reflete uma polarização política distorcida, onde a extrema direita se coloca como tal, mas a esquerda vacila ou renuncia a seu dever de se assumir como tal. As lutas de massas dos últimos dias abrem a possibilidade de que se configure uma polarização genuína e nítida, uma polarização entre as classes em disputa na sociedade brasileira.
Mas, para que isso aconteça, o maior erro que não podemos cometer é esperar do novo governo Lula a iniciativa para a continuidade da luta. Derrotamos a extrema direita passando por cima dos limites da direção do PT e da campanha de Lula. Devemos seguir nesse mesmo caminho, levantando nossas reivindicações legítimas e obrigando as instituições, incluindo a direita no Congresso, o STF e mesmo Lula, a aceitar nossas demandas.
O governo Lula 4.0 não será um governo em disputa entre o grande capital e os trabalhadores. Será, como sempre foi, um governo de manutenção da ordem atual tentando conciliar capitalistas e trabalhadores. Na correlação de forças atual, poderemos colocar os capitalistas de dentro e fora do governo contra a parede e arrancar mais conquistas. Mas elas virão da luta independente dos trabalhadores e setores oprimidos e não de concessões gentis do andar de cima.
Uma grande parcela da juventude e dos trabalhadores que foram às ruas mantém um pé atrás em relação às vacilações e titubeios da direção Lulista no governo e na campanha eleitoral. Esses setores, que devem compor uma nova geração de ativistas e lutadores, têm que ser a base de uma verdadeira renovação da esquerda socialista em nosso país. Uma renovação que não passa por tentar disputar os rumos do PT ou do governo, uma luta inglória e destinada ao fracasso.
A reconstrução de uma esquerda socialista de massas no Brasil deve passar pela unidade dos setores da esquerda socialista que defendem a independência de classe, que não se iludem com posições no governo, e que estão dispostos a construir uma ferramenta política com um programa e estratégia socialista pra valer.
O PSOL nasceu para ser alternativa de esquerda aos limites do PT, mas depois foi levado a desviar-se desse projeto. Reconstruir a esquerda socialista deve implicar os setores da esquerda que atuam no PSOL e que questionam os rumos da direção do partido no último período, incluindo a capitulação sistemática ao PT e ao governo Lula. Mas também deve envolver setores consequentes da esquerda que estão fora desse partido e não despencaram do outro lado, no sectarismo vazio e autoproclamatório.
Um bloco ou frente da esquerda socialista com militantes da esquerda de dentro do PSOL e fora dele poderá ser uma base para a construção de um instrumento de luta política muito maior que suas partes, atraindo amplas camadas da juventude e trabalhadores que se colocaram na luta nas últimas semanas. Trata-se de uma oportunidade histórica para avançarmos nessa direção.
Os ventos que chegam da Europa, a começar pelos levantes de massas e radicalizados da juventude e a convocação da greve geral, e que se espalham por vários países, mostram um caminho de luta contra a extrema direita, as guerras, o custo de vida e a exploração, a crise climática, o autoritarismo, a repressão, o racismo e todo tipo de opressão. O Brasil tem que ser parte desse levante global da juventude e dos trabalhadores, levantando a bandeira do socialismo e da revolução.
















