Telemarketing: super-exploração e super-lucros

As empresas de Call Center (telemarketing) ganharam um enorme impulso no Brasil a partir da década de 90 devido às privatizações iniciadas por Collor/FHC e continuadas por Lula em seu primeiro mandato. Devido à tendência de queda nos lucros das empresas, elas passaram a cortar gastos para se manterem competitivas no mercado. Para isso, realizaram demissões em massa, cortaram benefícios dos trabalhadores e terceirizaram seus serviços de relacionamento com clientes, fato este que possibilitou a proliferação do telemarketing no país.

600 mil na categoria

Atualmente os Call Centers empregam no Brasil um exército de aproximadamente 600 mil trabalhadores, que oferecem os mais variados serviços, desde vendas de produtos até prestação de informações por telefone.

Composta por jovens em sua esmagadora maioria, a categoria ainda não possui regulamentação claramente definida na justiça do trabalho, o que favorece os espúrios acordos entre empresas e sindicatos pelegos.

As empresas de Call Center estão para os jovens assim como os McDonald’s, as Blockbusters etc, ou seja, elas superexploram a juventude pagando baixos salários e oferecem quase nenhum beneficio, conseguindo, assim, lucros cada vez maiores às custas do jovem trabalhador.

As dez maiores empresas de Call Center no Brasil tiveram um faturamento bruto de 3 bilhões e 700 milhões de reais em 2005. Juntas, elas empregam aproximadamente 220 mil trabalhadores.

Isso significa que, se fizermos uma relação entre o faturamento das empresas e o número de funcionários é possível verificar que cada funcionário rende, em média, cerca de 17 mil reais por ano à empresa na qual trabalha! Este rendimento equivale a quase 4 vezes o rendimento anual de um operador, que em geral recebe algo em torno de um salário mínimo por mês. Essa é a expressão nua e crua do capitalismo: altos rendimentos aos empresários e baixa remuneração aos trabalhadores.

Mão-de-obra jovem e feminina

A grande maioria dos trabalhadores em telemarketing são jovens estudantes secundaristas, formados no ensino médio ou universitários.

Do total, 70% são mulheres, que sofrem com problemas de assédio sexual, moral e com a falta de infra-estrutura das empresas, as quais não oferecem serviço de creche. Ainda que as empresas paguem o auxilio-creche, este beneficio somente é concedido às mães cujos filhos tenham até 24 meses de idade, o que não atende às necessidades das trabalhadoras (não há informações muito claras a este respeito; ao que parece tanto o período quanto o valor do auxilio-creche dependem dos acordos feitos entre as empresas e os sindicatos). O beneficio, na verdade, deveria ser garantido até o período no qual a criança entra em idade escolar.

O futuro dos trabalhadores de Call Center não é muito promissor. Caso o jovem trabalhador consiga um estágio em outra empresa as condições de trabalho precário continuarão a persegui-lo, pois estagiários não possuem direitos trabalhistas.

Mas, e depois de formado, com diploma de nível superior? No futuro as condições de trabalho do ex-operador de telemarketing e ex-estagiário não serão melhores, pois, afinal, ele terá uma profissão de verdade?

Pensar assim é um erro. De acordo com o projeto de reforma trabalhista e sindical do governo Lula todas as profissões, seja de nível superior ou não, estarão ameaçadas. Por isso a luta contra essas reformas neoliberais do governo deve iniciar-se agora e transformar-se em luta por mais direitos e melhores salários.

Saúde ameaçada

A profissão de operador de telemarketing está entre as mais insalubres. Diversos estudos mostram que o trabalhador de Call Center está sujeito a vários problemas de saúde, como laringite, perda de audição, tendinites e danos psicológicos causados por uma atividade estressante. O grande estresse, pressão de atingir metas e intervalo para comer só de 15 minutos leva a muitos casos de gastrite.

Os convênios médicos das empresas estão muito aquém das necessidades dos trabalhadores. Os hospitais e centros clínicos ligados aos convênios prezam mais pelos interesses das empresas do que pelo bem estar dos trabalhadores, que dificilmente conseguem atestados médicos quando têm problemas de saúde.

O colapso da saúde pública alimenta esta situação e cada vez mais o trabalhador fica refém de convênios médicos empresariais que, contraditoriamente, têm por objetivo garantir o rendimento das empresas e não a saúde dos funcionários.

Organização dos trabalhadores

Apesar de ser uma categoria com centenas de milhares de trabalhadores os operadores de telemarketing ainda não mostraram sua verdadeira força. A cada ano que passa as empresas de Call Center se recusam a conceder até mesmo reajustes salariais, por menores que eles sejam.

A desinformação e confusão corre solta entre os operadores, que desconhecem seus próprios direitos trabalhistas. Isso acontece porque os sindicatos dos operadores de São Paulo estão preocupados em fazer acordos de escritório com os patrões, ao invés de organizar a luta da categoria.

É necessário organizar em cada empresa comitês de trabalhadores e trabalhadoras para que possam informar e mobilizar a categoria no enfrentamento contra os patrões. Os abusos das empresas só acabarão quando os trabalhadores estiverem mobilizados, conscientes e lutando por seus direitos.

• Por um sindicato democrático e de luta! Pela unificação da luta dos operadores por mais direitos e maiores salários!

• Abertura imediata das contas das empresas de Call Center!

• Redução da jornada de trabalho sem redução de salário! Aumento do piso salarial no rumo do salário mínimo da DIESSE (1.600 reais)!

• Não ao assédio sexual e moral!

• Direito a auxílio-creche!

• Jovem trabalhador também é estudante! Queremos mais de uma folga por semana! Pelo direito ao lazer e ao estudo!

• Não às reformas sindical e trabalhista do governo Lula!

Você pode gostar...