Seminário Nacional de Educação – Perspectivas para a unificação do movimento estudantil de esquerda

Infelizmente, no último período, o movimento estudantil combativo teve dificuldades para se organizar de forma unitária, tanto nos espaços locais de mobilização, quanto em nível nacional. O resultado foi a perda de importantes entidades estudantis secundaristas e universitárias para os setores governistas, defensores chapa branca das medidas privatistas do governo Lula.

Diante disso, diversos coletivos estudantis nacionais da Oposição de Esquerda da UNE (CONSTRUÇÃO, Vamos à Luta, Barricadas, Domínio Público, Levante, Contraponto, Romper o Dia), militantes da Assembléia Nacional de Estudantes Livre (ANEL), além de diversas entidades estudantis, iniciaram, no início deste ano, os debates necessários a uma virada de mesa e à superação da fragmentação política.

Após muitas discussões, estes agrupamentos chegaram à construção do Seminário Nacional de Educação: um espaço de debate político sobre os rumos da educação superior no Brasil, sobre a conjuntura política e sobre a atualidade das mobilizações estudantis.

O evento aconteceu em Uberlândia (Minas Gerais), entre os dias 9 e 11 de outubro, reunindo cerca de 400 estudantes, e contou com a participação do sindicato nacional dos docentes de nível superior (ANDES), que esteve presente nas mesas de discussões, fortalecendo a iniciativa dos estudantes.

O debate nos grupos de discussão mostrou o quanto temos em comum e o quanto é urgente unificarmos a luta contra a precarização do ensino superior em nosso país. Estudantes de diversos estados mostraram um balanço crítico do Reuni e do Prouni. Apresentaram as conseqüências de um projeto de educação cruel que massifica a educação baseando-se no sucateamento do serviço público, aligeiramento dos cursos, aumento de mensalidades e apoio às instituições privadas.

Importantes encaminhamentos

Importantes encaminhamentos foram dados. Primeiro, uma nota em defesa do ANDES, que está sendo duramente perseguido pelo governo federal; um manifesto em defesa dos estudantes da UFU, que estão sendo criminalizados pela reitoria devido às mobilizações que o DCE fez; Manifesto do Seminário de Uberlândia, em que são apresentados os principais temas de discussão consensualizados; e uma resposta ao manifesto dos reitores que haviam apoiado a candidatura de Dilma, intitulada “Educação: Brasil no rumo certo?”.

Uma série de ações unitárias foram planejadas como resposta aos ataques a educação: a participação no ato em defesa do ANDES no dia 21/10; o boicote ao ENADE; ato no dia 20/11 pela consciência negra: 100 anos da Revolta da Chibata; mobilização no dia de Luta contra a violência à mulher; impulsionar calouradas com os temas “Funções da universidade” – mais verbas para a assistência estudantil – contra a criminalização dos movimentos sociais, redução das mensalidades.

A proposta é que as entidades de base se movimentem em torno de suas perspectivas locais de luta, mas tentando manter a ação conjunta entre os setores combativos localmente e nacionalmente. Nossa proposta de formação de um Fórum Nacional de Mobilizações, infelizmente, não foi consensual.

Um Fórum para unificar os setores combativos

Acreditamos, porém, que é fundamental um espaço de organização política nacional dos estudantes, que reúna os setores combativos que estão dentro e fora da UNE. Espaço este que reflita a realidade das entidades de base e seja capaz de atrair novos ativistas, não se perdendo em disputas por aparato burocrático.

O movimento estudantil precisa ser revigorado nas suas práticas, de modo que faça um diálogo com a juventude para além, inclusive, das universidades e escolas, dando conta daqueles que estão nas favelas e no campo, sem acesso à educação.

O Seminário foi apenas o primeiro passo. É importante avançarmos ainda mais na organização do movimento estudantil nacional.