Jornada de lutas pela educação
Entre os dias 20 e 24 de agosto, em várias universidades de todo país, o MST em conjunto com diversas entidades do movimento social e estudantil saíram às ruas na “Jornada nacional em defesa da educação pública”.
Uma série de atos públicos foram realizados para reivindicar o aumento do investimento em educação que hoje é de apenas 3,5% do PIB, metade dos 7% aprovados no Plano Nacional de Educação em 2000.
Além de mais investimentos no setor, a pauta de reivindicações incluía bandeiras como: pela erradicação do analfabetismo, pelo fim do vestibular, assistência estudantil, autonomia das universidades, infra-estrutura adequada, contratação de professores e pessoal técnico-administrativo, contra a mercantilização do conhecimento e da educação, contra a privatização, democracia nas instituições de ensino, garantia do direito de organização sindical e estudantil e direito de greve,
UNE pressionada pela base
A Jornada contou com a participação de amplos setores do movimento estudantil em sua construção. Até mesmo a UNE, que vem ajudando o governo Lula a desmontar o ensino superior público com sua reforma universitária privatista, acabou participando. Será que podemos dizer que a UNE está retomando o caminho das lutas?
A entidade acaba sendo pressionada pela conjuntura de lutas que o movimento estudantil combativo vem tocando desde o primeiro semestre, com ocupações e greves importantes na luta pela autonomia das universidades e contra os ataques neoliberais à educação pública, seja via reforma universitária ou via decretos como o REUNI.
No entanto, não podemos guardar ilusões nesta entidade que em conjunto com o governo promove um dos maiores ataques que a educação pública já sofreu.
Repressão contra ocupação do Largo São Francisco
A “Jornada de lutas pela educação pública” promoveu manifestações, mesas de debate, aulas públicas, atos e ocupações como na UFRJ, UFSC e na Faculdade de Direito da USP.
A Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), uma das mais conceituadas do país e que completa neste ano 180 anos de fundação, reconhecida por sua história de lutas pelos direitos humanos e contra a ditadura militar, foi palco de uma das mais covardes e truculentas ações nesta instituição desde a época da ditadura militar.
Estudantes e representantes dos movimentos sociais realizavam uma ocupação pacífica de 24 horas, em defesa do acesso da juventude trabalhadora e dos movimentos sociais excluídos à universidade pública, quando, a pedido do diretor da Faculdade, João Gradino, a tropa de choque da PM reprimiu e deteve centenas de manifestantes.
Os jovens dos movimentos sociais foram fichados na delegacia, enquanto os que eram estudantes universitários acabaram liberados. Esta é a prova de que nem mesmo simbolicamente a burguesia quer os filhos de trabalhadores e o povo pobre dentro de seus centros de excelência.
Uma universidade nos moldes que queremos não virá nos marcos d e um sistema baseado na exploração e opressão. A luta por um projeto de universidade pública gratuita e de qualidade para todos é também a luta por uma sociedade socialista.
É fundamental, unir e intensificar a luta contra os ataques neoliberais. A batalha que será travada nas universidades federais contra a implantação do REUNI exige que se fortaleça a Frente de luta contra a reforma universitária. E no dia 24 de outubro, todos e todas à Brasília!